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Após cumprir mandados, Polícia Federal deixa apartamento de Aécio Neves, em Belo Horizonte

11/12/2018 às 09h06
Por: Tribuna Popular
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Após cumprir mandados de busca e apreensão, policiais federais deixaram o apartamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), na manhã desta terça-feira (11), no bairro Anchieta, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Descaracterizados, eles saíram do imóvel carregando malotes um pouco antes das 9h. A PF também cumpriu mandados na casa da irmã do político, Andrea Neves, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Há ordens judiciais ainda contra Frederico Pacheco, primo do tucano.






A Operação, batizada de Ross, cumpre total de 24 mandados de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. São investigados os crimes de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.





Em Minas Gerais, são 13 mandados de busca - 11 na Grande BH e dois em Cláudio, no interior do estado, onde a família do tucano tem um sítio. A PF informou às 10h30 que todos foram cumpridos. Doze pessoas devem depor na PF de BH nesta terça (leia mais abaixo); Andréa Neves chegou à sede da PF, no bairro Gutierrez, na Região Oeste da cidade, por volta das 10h.





O delegado-chefe da Polícia Federal em Divinópolis, Daniel Souza, disse à TV Integração que, por volta das 10h, os policiais já tinham saído da fazenda do senador, em Cláudio. Na cidade, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, sendo um na fazenda da família de Aécio e outro na fazenda de Frederico Pacheco, primo de Aécio.





O advogado Alberto Zacharias Toron, que representa Aécio, afirmou que o senador sempre esteve à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários que mostrarão a absoluta correção de todos os seus atos (veja a íntegra da nota no final desta reportagem). O criminalista Ricardo Ferreira, que defende Frederico Pacheco, disse que, oportunamente, serão prestados os esclarecimentos pertinentes.





A PF chegou a fazer um pedido de mandado de busca e apreensão contra o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), mas a solicitação foi negada pela Justiça. Empresários que, segundo promotores, emitiram notas fiscais frias para Aécio também são alvos desta operação.


















Agentes da PF apreendem documentos no apartamento de Aécio Neves


Agentes da PF apreendem documentos no apartamento de Aécio Neves


Começo da operação





Policiais federais chegaram por volta de 6h a um dos imóveis do senador Aécio Neves, no prédio do bairro Anchieta. Segundo vizinhos, os policiais chegaram em viaturas descaracterizadas.





No mesmo horário, equipes chegaram ao condomínio onde vive Andrea Neves, em Brumadinho. Andréa é considerada operadora do senador segundo as investigações da Lava Jato. Ela foi presa pela PF em maio de 2017.





A polícia também fez buscas em um imóvel do deputado federal e presidente do Solidariedade Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, em São Paulo. Os mandados fazem parte de uma operação que investiga também os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Anastasia, além dos deputados federais Benito da Gama (PTB-BA) e Cristiane Brasil (PTB-RJ).





O advogado Ricardo Ferreira Melo, que defende Pacheco, foi contatado e o G1 aguarda um retorno. A reportagem está tentando contato com a defesa de Cristiane Brasil e ligou para o telefone do deputado Paulinho da Força por volta das 7h15. Ele atendeu, mas desligou.


Depoimentos





Os senadores Aécio Neves e Antonio Anastasia serão ouvidos pela PF em Brasília. Em Belo Horizonte, prestarão depoimento Andréa Neves, Frederico Pacheco, Danilo de Castro, Waldyr Rocha Pena e Paulo Vasconcelos. Por volta das 10h, Andréa chegou à sede da PF em BH. Pouco depois, foi a vez de Frederico Pacheco chegar.








Andréa Neves chega à PF de Belo Horizonte, onde será ouvida — Foto: Fernando Zuba/Globo

Andréa Neves chega à PF de Belo Horizonte, onde será ouvida — Foto: Fernando Zuba/Globo


Propina de R$ 110 milhões






A procura de documentos faz parte de operação baseada em delações de Joesley Batista e Ricardo Saud. Os executivos do grupo J&F relataram repasse de propina de quase R$ 110 milhões ao senador Aécio Neves. Suspeita-se que os valores eram recebidos através da simulação de serviços que não eram efetivamente prestados e para os quais eram emitidas notas fiscais frias.





A operação no Rio é braço de investida que ocorre simultaneamente em Minas Gerais, São Paulo (capital e interior, com nove mandados), Brasília, Bahia, Rio Grande do Norte, Tocantins, Amapá e Mato Grosso do Sul. Decorre do inquérito 4519, que tem como relator, no Supremo Tribunal Federal, o ministro Marco Aurélio Mello.





Segundo a PF, o senador Aécio Neves comprou apoio político do Solidariedade, por R$ 15 milhões, e empresários paulistas ajudaram com doações de campanha e caixa 2, por meio de notas frias.


Veja abaixo a nota do advogado de Aécio Neves:





"O Senador Aécio Neves sempre esteve à disposição para prestar esclarecimentos e apresentar todos os documentos que se fizessem necessários às investigações, bastando para isso o contato com seus advogados.





O inquérito policial baseia-se nas delações de executivos da JBS que tentam transformar as doações feitas a campanhas do PSDB, e devidamente registradas na justiça eleitoral, em algo ilícito para, convenientemente, tentar manter os generosos benefícios de seus acordos de colaboração. A correta e isenta investigação vai apontar a verdade é a legalidade das doações feitas."






Alberto Zacharias Toron


*G1





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