
O deputado federal Áureo Lídio (SD-RJ) pediu e o presidente Michel Temer (PMDB) concordou em vetar uma emenda de autoria do parlamentar, aprovada no pacote da reforma política, que obrigava sites e redes sociais a retirarem em até 24 horas “informações falsas ou ofensa em desfavor de partido ou candidato”, mesmo sem uma decisão judicial.
Segundo o parlamentar, a medida, considerada “censura” por entidades que representam veículos de mídia, tinha apenas a intenção de coibir perfis falsos. Ele diz que vai reapresentar a proposta no futuro, mas como projeto de lei. “Como as pessoas não interpretaram corretamente a nossa proposta, nós estamos sugerindo ao presidente que vete a emenda, para que discutamos em um projeto de lei, com mais tempo, um maior debate”, afirmou Áureo a VEJA. O deputado do Solidariedade afirma que será responsável pela elaboração dessa nova norma e que pretende convocar as associações que se manifestaram contra a ideia para participar dos debates.
Segundo o parlamentar, é necessária uma norma que permita que “informações falsas” sejam derrubadas de forma mais ágil da internet. “Tem que ser mais rápido, porque pode mudar o resultado de uma eleição. Hoje, o Facebook leva 72 horas para derrubar um perfil falso, o que eu propunha era acelerar, que eles só tivessem 24 horas”, argumentou.
Um dos pontos sensíveis da emenda inicial era o fato de que ela dispensava que a Justiça precisasse se manifestar antes que o site ou rede social fosse obrigado a derrubar o conteúdo do ar, como ocorre atualmente. Na nota divulgada na noite desta quinta-feira, a Associação Nacional dos Editores de Revista (Aner), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão (Abert) afirmaram que a proposta feria o previsto no Marco Civil da Internet, que “estabelece que, somente mediante decisão judicial, é possível essa suspensão ou retirada de informações e opiniões”.

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