Presa na operação contra esquema do “Faraó dos Bitcoins”, a advogada Eliane Medeiros de Lima também foi alvo da PF (Polícia Federal) em ação contra o narcotraficante Cabeça Branca. Detalhe: as duas operações foram no mesmo dia, 3 de fevereiro.
De acordo com a coluna Painel, da Folha de São Paulo, a Emeli Consultoria, que pertence à Eliane, aparece como destinatária de cerca de R$ 11 milhões de empresas investigadas por suspeita de lavagem de dinheiro para narcotraficantes, incluindo, Cabeça Branca. O repasse foi entre maio e julho de 2020. Desta forma, ela foi alvo da operação Fluxo Capital, liderada pela Polícia Federal do Paraná.
Conforme consulta à Receita Federal, a Emeli Consultoria e Tecnologia da Informação Ltda fica localizada no Centro Empresarial Afonso Pena, em Campo Grande. O edifício foi um dos locais “visitados” por equipe da PF na manhã do último dia 3. A reportagem esteve no prédio nesta sexta-feira e recebeu a informação de que a sala é um escritório compartilhado e que não havia ninguém no local.
O objetivo da operação contra Luiz Carlo da Rocha, o Cabeça Branca, foi desarticular organização criminosa responsável pela lavagem de dinheiro por meio de movimentações milionárias, com a utilização de laranjas, empresa de fachadas e contadores.
Detalhes da investigação da operação Kryptos, em que a Polícia Federal mirou Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó dos Bitcoins”, mostra a evolução financeira da advogada e de sua outra empresa, a GLA Serviços de Tecnologia Ltda, localizada no Bairro Santa Fé, em Campo Grande.
Conforme relatório, a movimentação da advogada saltou de R$ 793 mil em 2017 para R$ 1,9 milhão no ano de 2020. O documento da PF também traz dados sobre a GLA. A empresa saiu de créditos de R$ 10.281 em 2018 para R$ 444 milhões em 2020.
A ligação entre Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, e Mato Grosso do Sul foi traçada por meio de empresas, seguindo o rastro do dinheiro. Ele é acusado de comandar um esquema de fraudes bilionárias a partir de sistema de pirâmide financeira envolvendo criptomoedas. Pelo menos R$ 38,2 bilhões foram movimentados entre os anos de 2015 e 2021 no Brasil e no exterior.