Operação da DEH (Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Homicídio), deflagrada na manhã desta terça-feira (22), em Campo Grande, prendeu um rapaz envolvido no sumiço do garagista e agiota Carlos Reis de Medeiros de Jesus, de 52 anos, conhecido por "Alma" - desaparecido há quase três meses.
De acordo com o delegado Carlos Delano, o homem de 19 anos foi preso no Bairro Santo Antônio. Além disso, há mais um mandado de prisão para ser cumprido na operação de hoje, ligada ao desaparecimento do garagista. Também foram expedidos 11 mandados de busca e apreensão, nos Bairros Moreninhas, Santo Antônio e Tiradentes.
Auxiliaram a DEH no cumprimento desses mandados, as delegacias especializadas de Mato Grosso do Sul: Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos), Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos), Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários), Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo) e Garras (Delegacia Especializada de Repressão à Roubo à Bancos Assaltos e Sequestros).
Sumiço - O garagista está desaparecido há quase três meses. Ele saiu de casa, no Bairro Tiradentes, por volta das 8h de terça-feira (dia 30 de novembro de 2021), em uma caminhonete S-10, para resolver "negócios de trabalho". Na sequência, a caminhonete foi encontrada destrancada em um terreno da vítima, próximo de sua casa.
Ainda na noite de terça, a esposa de Carlos, Josiane da Silva Medeiros, de 43 anos, foi até a garagem do empresário e flagrou dois guinchos retirando veículos do local. Questionados sobre quem teria aberto a garagem, os suspeitos informaram que havia sido o empresário. Josiane chegou a segui-los para tentar encontrar o esposo, mas os perdeu de vista.
Desmanche - Na noite do dia seguinte, quarta-feira (1º de dezembro de 2021), 11 veículos guinchados da garagem do empresário foram encontrados pela Polícia Civil em um desmanche clandestino na Travessa Pompéu, no Jardim Centro Oeste. Quatro pessoas foram flagradas retirando as peças dos carros. Elas foram levadas à DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios) para esclarecer como os veículos foram parar no local.
Depois, Josiane acabou revelando que o sumiço do empresário poderia ter relação a agiotagem e apontou três suspeitos que poderiam estar envolvidos no caso, pois deviam alta quantia ao garagista. Dias depois, a polícia obteve informação que estariam na região das Moreninhas, fugindo para fora da cidade.
Durante diligência, o Batalhão de Choque conseguiu abordar os suspeitos em uma VW Parati conduzido pela advogada de José Cláudio Arantes, o “Tio Arantes”, considerado pela Justiça como uma das lideranças máximas do PCC (Primeiro Comando da Capital). Além dela, havia três homens, dois deles eram os mesmos que haviam sido denunciados por Josiane.
No carro, foram encontrados um colchão, um ventilador, um travesseiro e duas garrafas pet com gelo. Indagado para onde estava indo, o grupo disse que seguia para uma chácara, localizada fora da cidade e não soube informar o local, muito menos quando retornaria.
Vitor Hugo de Oliveira Afonso, de 33 anos, estava com o grupo, apresentou documento falso e foi preso. Todos eles confirmaram ter tido algum tipo de relacionamento com Carlos. A advogada foi liberada e os demais foram levados para prestar esclarecimentos na delegacia.
Vitor alegou que junto com Thiago Gabriel Martins da Silva, de 32 anos - dono de uma funilaria no Aero Rancho - ajudava Carlos a revender os veículos da garagem e que recebiam comissão. Dessa forma, disse que com o sumiço do garagista, todos estariam "perdendo dinheiro". Vitor ainda confessou que deve R$ 3 mil e Gabriel R$ 5 mil, segundo ele, valor irrisório, perto do que Carlos empresta na cidade, o chamando de "agiota forte".