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Vivemos caos, mas há esperança, diz brasileiro que atua em resgate na Turquia
À CNN Rádio, Léo Farah, capitão da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e co-fundador da ONG HUMUS, detalhou operação de resgate após terremoto que atingiu Turquia e Síria
16/02/2023 11h40
Por: Tribuna Popular Fonte: CNN
Acervo Pessoal - Equipe brasileira que atua no resgate na Turquia

“A extensão dos danos é gigantesca”.


É o que conta o capitão da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e co-fundador da ONG HUMUS Léo Farah, que está na Turquia há sete dias para buscar vítimas do terremoto que atingiu a região.


Entre turcos e sírios, já são mais de 41 mil mortos.


Em entrevista à CNN Rádio, Farah relatou que a situação é “muito grave” e difícil até de visualizar.


“Há 500 mil habitantes que não têm onde ficar, 90% dos prédios foram destruídos e o restante está inabitável, o cenário é caótico.”


Segundo ele, este é o “último dia da janela de sobrevivência”. Os especialistas consideram um máximo de 10 dias, que apresenta 2% de chance de as pessoas estarem vivas.


“Há construções que não foram totalmente checadas, há chance de encontrarmos vítimas vivas”, informou.


Brasileiros estão na Turquia há 7 dias para auxiliar no resgate


Busca por sobreviventes na Turquia


Equipe atua à noite, mesmo com o frio, na busca de vítimas do terremoto


Equipe da ONG HUMUS na Turquia


Equipe brasileira que atua no resgate na Turquia


Capitão da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais Léo Farah


O resgatista afirmou que o número de mortos vai crescer e que se deparou com vários corpos, mas que não puderam fazer a retirada para não perder tempo e focar nas vítimas.


“A melhor definição seria caos como rotina, não há descanso ou alimentação, nenhum dia foi igual ao outro.”


Ele conta que a equipe está há 7 dias sem banho, por exemplo, pois não há abastecimento de água.


Farah esteve nos desastres de Mariana, Brumadinho, Haiti e de um ciclone em Moçambique, mas disse que “nunca viu situação parecida na vida.”


O capitão da reserva disse que é preciso um preparo psicológico enorme: “Como dormir sabendo que em alguém vivo debaixo dos escombros? Mas é necessário entender que é preciso descansar e hidratar.”


Léo Farah citou a “mentalidade do herói” para a sobrevivência: “De entender que o propósito é maior do que a dor, compreender que em algum momento vai ter alívio e esperança de conseguir vencer o inimigo que é o tempo, é isso que faz com que as pessoas sobrevivam.”


Tática de busca por sobreviventes


Farah informou que há técnicas empregadas para identificar vivos.


A primeira delas é a “escuta”: resgatistas gritam e batem no chão, depois há um silêncio absoluto para ver se a vítima responde.


“Pedimos batidas de forma racional, três vezes, para não confundir com escombro se acomodando.”


A segunda é com a utilização do sonar: “Posicionamos alguns sonares sob os escombros e eles têm capacidade grande de perceber ruído, mesmo daqueles que não conseguem gritar, mas raspar a mão no concreto.”


A terceira usa câmeras térmicas que penetram e mostram pontos de calor.


Ele ressalta, porém, que os “equipamentos são caros” e que algumas equipes de países como Estados Unidos, Coreia do Sul e da China.


*Com produção de Bruna Sales