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Sem corpo a corpo, políticos buscam novas estratégias

10/07/2020 às 10h09
Por: Tribuna Popular
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Dois empresários ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) foram presos na manhã desta sexta-feira (10) em ação conjunta do Ministério Público, Polícia Civil de São Paulo e Receita Federal. “Eles estão sendo indiciados por crimes financeiros”, explica o Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec).  





Um ano de mudanças. A clássica afirmação de início de ano se encaixa perfeitamente para 2020, com restrições e alterações mudando a forma como as pessoas se relacionam.





A pandemia, que já forçou o adiamento das eleições para novembro, também mudará a forma como os candidatos fazem campanha. O tradicional corpo a corpo, que já vinha perdendo força para as redes sociais, sucumbiu de vez com a chegada das medidas de distanciamento social.  





Candidatos e marqueteiros agora procuram soluções para as dificuldades que virão.





A principal delas é a impossibilidade de aglomerações – as reuniões devem ter número limitado de pessoas, aquém do usual nas campanhas. Outro problema é o grande volume de publicações eleitorais nas redes sociais, que pode causar uma saturação e, além de encarecer, pode fazer com que o eleitorado refute candidatos.





“Todas as eleições são diferentes e essa terá uma característica peculiar”, frisa o prefeito Marcos Trad (PSD), que vai disputar a reeleição e que se posicionou contra o corpo a corpo neste momento de pandemia, para respeitar o isolamento.





“Se o candidato for responsável, vai evitar aglomeração. Ele não pode querer atingir um objetivo pessoal e o do partido colocando em risco seus próprios eleitores. Acredito que até mesmo os eleitores vão reprimir e repreender aglomeração”, frisa Trad.





Outro que reforça o uso das redes sociais é o vereador Eduardo Cury (DEM), que destaca que seu perfil de campanha não se fundamenta apenas em reuniões políticas, mas em seu currículo de médico há 45 anos, exercendo várias funções públicas relativas à Saúde em Campo Grande, como chefiar o Samu e a regulação.





“Tenho uma história fundamentada em ética, trabalho intenso, valores familiares e educacionais muito consistente. A rede social é um instrumento muito valioso, se estiver fundamentado nas bases que citei”, opina o parlamentar.





PRESENCIAL





Outro vereador, também médico, que vai tentar a reeleição é Lívio Leite (PSDB). Contudo, a falta de tempo para planejar ações é um problema a mais para ele solucionar, já que, conforme revelou, está focado nas atividades do comitê da Covid-19.  





“Não sabemos ainda como vamos fazer. Percebo muitas lives, interação, mas meu trabalho não é tão ligado às redes sociais. Isso pode me prejudicar”, frisa.





Há quem desde já crave que fará sua campanha de forma presencial, como é o caso do vereador Carlão (PSB). “Não tem como abrir mão do corpo a corpo. Meu trabalho é assim, com os mais carentes, e precisa disso. Então vamos respeitar o distanciamento, obedecer todas as normas e continuar nosso trabalho sem colocar ninguém em perigo”, conta.





VACINA: SALVAÇÃO?





A vacina da Covid-19 é tida como uma salvação para as campanhas eleitorais de 2020 pelo marqueteiro Gildo Andrade. “A minha expectativa é a de que ela saia antes do pleito. Mas é só expectativa, nada certo. Se vier, as pessoas voltam à vida normal aos poucos e as coisas voltam também, e tudo ocorre como sempre”.





No entanto, caso o lançamento da vacina não se concretize a tempo, justamente quem já possui um trabalho mais sólido nas redes sociais é que vai sair em vantagem, pois os demais teriam de ainda construir essa rede de contatos e apoiadores.





“Não precisa ser exatamente quem já tem mandato, mas artistas, radialistas, advogados, gente que já tem uma rede forte. Essa pessoa encurta caminho, porque a dificuldade vai ser chegar nas pessoas. Não podemos esquecer também de qual linguagem esse candidato vai usar nas redes. Cada um tem sua linguagem. Precisa de estrutura para se organizar, editar e formatar essa linguagem. E isso tudo custa dinheiro”, indica Gildo.





CONGESTIONAMENTO





O marqueteiro, que encabeçou a equipe de Marcos Trad em 2016, revela que há preocupação sobre um possível congestionamento virtual no período de campanha. “Já imaginou como o eleitor vai se comportar diante dessa gama de informações e lives? Ele pode até acompanhar, mas vai ser confuso”, comenta.





“Outra coisa que a gente tem de pensar é que em 2018 foi liberado o impulsionamento, que é a postagem paga para chegar a mais pessoas. Então imagina o volume grande de candidatos impulsionando as redes. Só vai dar isso”, opina Andrade.





Mais uma questão que intriga é a receptividade dos eleitores quanto à participação em reuniões presenciais. “Quem vai querer participar? E a distribuição de material de campanha, em papel, como vai ficar? Por isso, vai levar vantagem quem já está na rede com linguagem e já tem nicho, presta serviço”, conclui o marqueteiro.





Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso foram presos temporariamente por 5 dias por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Eles foram ligados a criação de empresas de fachada. A família fundadora do MBL é investigada por dever mais de 400 milhões de reais.  





Carlos Augusto conhecido nas redes como Luciano Ayan ameaça quem questiona as contas do MBL e é investigado por propagar Fake News. Em entrevista dada para a CNN, o deputado Federal Kim Kataguiri (DEM-SP) diz que nenhum dos empresários são membros do movimento.  





Em nota, o MP revela investigar a “instituição e utilização de diversas empresas em incontáveis outras irregularidades. A família Ferreira dos Santos adquiriu/criou duas dezenas de empresas - que hoje se encontram todas inoperantes e, somente em relação ao Fisco Federal, devem tributos, já inscritos em dívida ativa da União”.  





Os crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio envolvem um emaranhado de repasses de dinheiro por meio de diversas contas para dificultar a origem dos recursos. O MP divulgou que foi “constatado um número significativo de pessoas jurídicas, tornando o fluxo de recursos extremamente difícil de ser rastreado, inclusive utilizando-se de criptoativos e interpostas pessoas”.  





O MBL é investigado por uma confusão jurídica com o Movimento Renovação Liberal (MRL), além de doações suspeitas feitas por meio da plataforma Google Pagamentos. Denominada uma organização sem fins lucrativos pelos próprios membros, o MBL ganhou notoriedade depois dos protestos de 2013 e atuação no processo de impeachment de Dilma Roussef (PT).  





*Correio do Estado


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