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Escolas recebem alunos com termômetro de sentimento, chocolates e viaturas
Polícia Militar e seguranças amanheceram nas escolas para tranquilizar famílias diante de mensagens de ameaça
20/04/2023 09h25
Por: Tribuna Popular Fonte: Campo Grande News
- Escola Estadual Henrique Ciryllo, na Vila Rica (Foto: Juliano Almeida)

Como previsto, as escolas da rede estadual recepcionaram os alunos de forma diferente nesta quinta-feira (20), diante de mensagens de ameaças com referência a data do ataque em Columbine, nos Estados Unidos há 23 anos. Em algumas escolas estaduais, a acolhida tem música, balões, mensagens, termômetro de sentimentos e até chocolates, além de policiais militares. Entre as particulares, algumas escolas contrataram reforço na segurança e também contam com a Polícia Militar na porta.


Na Escola Estadual Thereza Noronha de Carvalho, no Parque do Lageado, muitos alunos faltaram. Uma viatura da PM está estacionada dentro da escola e um policial militar acompanha a acolhida. Na frente, outro veículo da Polícia Civil.


Na chegada, um arco de balão e músicas animadas. Toda a coordenação está recepcionando e distribuindo chocolates. Eles já sabem que hoje terá uma gincana. Um a um, os estudantes escolhem entre bolinhas coloridas aquelas que fazem referência a um  sentimento que têm hoje.


Cursando o  9º ano, uma adolescente de 14 anos conta que nos últimos dias não teve viatura na escola, mas a presença da PM hoje dá a sensação de segurança.


“Quando o pessoal começou a comentar e pichar o banheiro não fiquei tão preocupada. Pensei que era mentira e se fosse acontecer algo não iam avisar, mas hoje estou preocupada sim. Tomara que o policial fique o dia todo aqui. Alguns dias me sinto mais segura e outros não. Várias amigas faltaram, porque os pais ficaram com medo, mas vim porque acho que não vai acontecer nada”, diz a menina.


Na Escola Estadual Henrique Ciryllo, na Vila Rica, a viatura da ronda escolar da PM chegou por volta das 6h com seis policiais militares. Aos poucos os alunos chegam. Hoje, a direção abriu as duas folhas do porão ao invés de uma só como de costume.


Na entrada, um mural com o termômetro do sentimento serve para os alunos escreverem mensagens de paz e colar, além de marcar o quão felizes estão hoje. Enquanto isso, funcionários entregam mensagens e alguns estudantes seguram plaquinhas com mensagens.


Apesar de ser dia normal em boa parte das escolas, nem todas terão aulas. A Escola Municipal Padre Tomaz Giraldeli, no bairro Los Angeles, não tem aulas hoje, porque fará reunião de Conselho de Classe.


No bairro Chácara Cachoeira, a Escola Oswaldo Tognini tem, desde ontem seguranças dentro da escola fazendo rondas; Às 7h15 chegou a viatura da PM com dois policiais que entraram na escola.


O Tenente Carlo Alexandre da PM explica que os policiais agem de maneira natural, intensificando as rondas e orienta os pais a confiar no trabalho dos policiais e agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana), que também estão nas rondas escolares.


“Todas as escolas tiveram reforço na ronda, tanto as públicas, quanto as particulares. A gente chega, conversa com os diretores, que já estão orientados em como lidar com uma possível situação de emergência. Eles têm todos os contatos, guarda, bombeiros e polícia. Nossa função é tranquilizar os pais”, diz o tenente.


A diretora da Escola Oswaldo Tognin, Maria Rita Araújo de Lima, conta que a ideia é cortar o clima de tensão das últimas semanas. Ela se preocupa com a saúde mental dos alunos e lembra que já enfrentaram dois anos de pandemia.


“Hoje, teremos ações do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência). Vamos plantar feijões e eles poderão levar para casa e fazer o Dia do Carinho. Cada um traz uma mensagem, um abraço, flor ou bombom e é um ação entre os alunos e também dos alunos com os professores e funcionários. O conteúdo hoje será voltado para a conscientização de um mundo melhor”, comenta Maria Rita.


A Escola Estadual Joaquim Murtinho também tem dois policiais militares de prontidão na hora da chegada. Os alunos contam que se sentem seguros com a presença policial e também por causa das câmeras de monitoramento, além da região central ser mais movimentada.


Estudantes de 15 e 18 anos que cursam o ensino médio comentam que acham que o feriado motivou as ameaças para que os alunos pudessem faltar, outras falam em medo mesmo acreditando que uma situação de ataque seja improvável.


Colaboraram Bruna Marques. Ana Beatriz Rodrigues e Idaicy Solano.