O dólar operava em alta nos primeiros negócios desta segunda-feira (24), com investidores monitorando com cautela a tramitação da nova regra fiscal no Congresso Nacional, enquanto aguardam a próxima leva de dados econômicos dos Estados Unidos antes da reunião de política monetária de maio do Federal Reserve.
Por volta das 10h01 (horário de Brasília), a moeda norte-americana avançava 0,20%, cotada a R$ 5,069 na venda.
O mercado segue de olho nos próximos passos do novo marco fiscal, entregue ao Congresso pelo governo Lula na semana passada. O texto deve passar por alterações durante o processo de tramitação, mas, segundo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, terá sua essência mantida.
O relator da proposta já foi escolhido na última quinta-feira pelo presidente da Câmara, Arthur Lira: o deputado Claudio Cajado (PP-BA). A ideia é que o projeto seja aprovado na Casa até metade de maio, quando deve seguir para o Senado.
Enquanto isso, acontece a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Europa. Nesta manhã, o mandatário voltou a criticar o atual patamar da taxa de juros do país, em 13,75% desde agosto passado, durante um fórum empresarial em Portugal.
“Nós temos um problema no Brasil, primeiro-ministro, que Portugal não sei se tem. Nossa taxa de juros é muito alta, é muito alta. No Brasil, a taxa Selic, que é a taxa referencial, está 13,75%. Ninguém toma dinheiro emprestado a 13,75%. Ninguém”, afirmou o presidente, referindo-se ao primeiro-ministro de Portugal, António Costa, que participou do evento no Porto.
O mercado também digere o último boletim Focus, que elevou, pela terceira semana consecutiva, a projeção para a inflação em 2023, agora em 6,04%. Na semana anterior, a previsão era de 6,01%, ultrapassando a marca dos 6% pela primeira vez no ano.
Para 2024 e 2025, os economistas mantiveram suas projeções em 4,18% e 4%, respectivamente.
A agenda de indicadores também pauta a semana dos investidores. Na terça-feira pela manhã, o IBGE divulga os dados das vendas no varejo do mês de fevereiro, enquanto, na quarta-feira, é a vez do IPCA-15 de abril. Quinta-feira é dia da divulgação da pesquisa mensal de Serviços e os números de emprego formal do Caged. Fechando a semana, na sexta-feira, o Banco Central anuncia o IBC-Br de fevereiro.
Os balanços do Santander, Gol, Azul e Vale também entram em foco nos próximos dias.
Já no exterior, os mercados se preparam para uma semana carregada de dados econômicos dos Estados Unidos e balanços corporativos de gigantes de tecnologia como Microsoft, Alphabet, Meta Platforms, e Amazon.
A leitura inicial do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, prevista para quinta-feira, pode oferecer mais detalhes sobre os impactos da elevação da taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), um termômetro para a economia global.
No último pregão, antes do feriado de Tiradentes, o dólar fechou em queda de 0,52%, a R$ 5,059.
O Banco Central fará neste pregão leilão de até 16 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de junho de 2023.
Publicado por Tamara Nassif. Com informações da Reuters.