
O governo federal enviou nesta quinta-feira (3) o envio da proposta de reforma administrativa ao Congresso Nacional. Segundo o portal G1, o texto prevê uma série de mudanças para o funcionalismo público.
Entre elas, está o fim da aposentadoria compulsória de servidores como modalidade de punição.
Atualmente, algumas categorias de servidores públicos aplicam como sanção a profissionais que tenham cometido alguma irregularidade a aposentadoria compulsória.
Nesse caso, a pessoa punida deixa de trabalhar, mas mantém o salário. Com a reforma, isso não vai mais acontecer.
Outras mudanças apresentadas pelo governo são a vedação de promoções ou progressões na carreira exclusivamente por tempo de serviço e a proibição de mais de 30 dias de férias por ano.
A reforma administrativa ainda precisa ser analisada e aprovada pela Câmara e pelo Senado para virar lei. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), precisa ser aprovada por 2/3 de cada Casa em dois turnos de votação.
O texto enviado pelo governo modifica somente as regras para os futuros servidores do poder Executivo federal.
Não afeta os atuais servidores nem os profissionais do Legislativo e Judiciário. Os outros poderes terão que elaborar textos próprios se quiserem alterar suas regras.
O argumento do governo é que a reforma administrativa, considerada uma das principais medidas no ciclo reformista, vai aperfeiçoar o funcionamento da máquina pública por meio da contenção de gastos e do aumento da eficiência.
Segundo a Secretaria-Geral da Presidência da República, a proposta também sugere:
Ainda conforme o texto encaminhado ao Congresso e publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União (DOU).
De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, o governo ainda quer usar a reforma para mudar a Constituição e permitir que o presidente da República altere por decreto a estrutura do Poder Executivo e até declare extintos alguns órgãos e ministérios.
Atualmente, o presidente precisa enviar um projeto ao Parlamento para fazer esse tipo de mudança. Se a medida for aprovada, ele poderá fazer ajustes na máquina pública sem necessidade de consultar o Legislativo, desde que não haja aumento de despesa.
A reforma administrativa ficou com alcance e potência menores após ajustes feitos a pedido do presidente Jair Bolsonaro. Ele defende que as suas novas regras sejam um “norte” e um “convite” para que governadores e prefeitos façam suas próprias reformas - por isso, mandou retirar do texto o funcionalismo estadual e municipal.
A justificativa para o governo não avançar sobre reforma de outros Poderes é que eles têm regras diferentes. No Judiciário, por exemplo, o servidor pode ser aposentado como punição e férias de 60 dias.
Nos últimos dias, o presidente também determinou que a reforma poupasse os funcionários públicos que já estão no cargo. Conforme apurou o Estadão, não interferir nos outros Poderes também foi uma condição para a reforma ser desengavetada.
A reforma elaborada pela Economia no ano passado não foi aprovada pelo presidente Jair Bolsonaro. Diante do impasse entre as contas de Paulo Guedes e os cálculos políticos do presidente, o governo segurou o envio.
Com a crise da pandemia de Covid-19, o discurso de Bolsonaro de que neste momento o servidor público não pode ser demonizado ou penalizado foi reforçado.
Agora, para dar uma resposta ao mercado diante da desconfiança sobre a sustentabilidade fiscal do País, Bolsonaro resolveu desengavetar o texto, mas pediu mudanças para poupar o servidor.
Coube ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, responsável também pela Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ), harmonizar a determinação do presidente Bolsonaro com a proposta de Guedes para, finalmente, enviar ao Congresso.
*Correio do Estado
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