O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) é alvo de um mandado de prisão preventiva (por tempo indeterminado) em um desdobramento da operação Quadro Negro, que apura desvios e irregularidades em obras de escolas do estado.
A ordem judicial está sendo cumprida na manhã desta terça-feira, 19, por agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público estadual.
Também tiveram a prisão decretada Ezequias Moreira, ex-secretário de Cerimonial e Relações Exteriores do PR, e Jorge Atherino, apontado como operador de Richa.
Esta é a terceira vez que o tucano é preso: a primeira foi em setembro, durante a campanha eleitoral, e a última em janeiro.
A Justiça também emitiu cinco mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Richa, três deles em Curitiba e os outros em casas de veraneio em Matinhos (PR) e Porto Belo (SC).
Os mandados cumpridos hoje fazem parte da quarta fase da Negro Negro, chamada de “Ação Entre Amigos”.
Procurada, a defesa de Richa afirmou que ainda não teve acesso aos autos. A reportagem tenta contato com os advogados dos outros envolvidos.
De acordo com o MP, a construtora Valor, de propriedade do delator Eduardo Lopes de Souza, era beneficiada com aditivos desnecessários, que aumentavam o preço das obras e os repasses à construtora.
O esquema funcionava a partir de fraudes técnicas dentro da Secretaria da Educação do governo estadual. Em troca, a construtora pagava até 500.000 reais de propina a agentes públicos. Segundo o MP, o montante desviado ultrapassa os 20 milhões de reais.
No último domingo, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu um salvo-conduto a Beto Richa e sua família no âmbito de outras duas investigações, as operações Radiopatrulha e Integração I e II.
A Radiopatrulha apura desvios de recursos de empreiteiras em contratos de rodovias. Já as duas operações da Integração são desdobramentos da Lava Jato e miram o ex-governador por suspeita de recebimento de propinas de concessionárias de pedágio.
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