O grupo Caoa deve assumir as operações da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo em dezembro, caso o negócio seja concluído nos próximos dias. A data foi citada nessa terça-feira, 2, pelo governador João Doria (PSDB), que está intermediando a negociação de venda entre a montadora e investidores interessados.
Embora o governador tenha dito que, por enquanto, há “apenas uma indicação” de que o grupo Caoa seja o comprador – pois ainda não há confirmação do negócio -, fontes ligadas à negociação afirmam que já há um acordo entre as partes.
“A Ford vai operar essa fábrica até 30 de novembro e, a partir de dezembro, terá um novo proprietário que vai continuar a produção, preservando os empregos”, disse Doria. “Muito em breve estaremos anunciando isso em caráter definitivo.”
A Ford disse nessa terça-feira que “não comenta especulações”. Procurada, a Caoa também não se posicionou.
O grupo brasileiro deve assumir apenas a produção de caminhões sob licença da Ford, operação parecida com aquela mantida com a Hyundai em Goiás. A Caoa também é dona de 50% da chinesa Chery, com fábrica em Jacareí (SP), e é a maior revendedora Ford do País.
Em meio as especulações, os trabalhadores da fábrica de São Bernardo retomaram as atividades após 42 dias de paralisação, desde que a empresa anunciou o fechamento, no dia 12 de fevereiro.
“Nos interessa que os investidores tenham como conhecer o funcionamento da fábrica, o processo de produção e, principalmente, a qualificação dos trabalhadores”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana.
Eles vão trabalhar dois dias por semana. Antes da paralisação, a jornada era de três dias. Segundo o sindicato, a empresa quer produzir 1,7 mil unidades do Fiesta e 843 caminhões até encerrar as atividades.
O sindicato negocia com a empresa para o encerramento dos contratos de trabalho avançaram em alguns itens. Está garantido, por exemplo, o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Segue em discussão o valor da indenização e o acordo que estabilidade de emprego até novembro aos 3 mil funcionários diretos. Santana disse que espera encerrar essa discussão ainda neste mês. A fábrica tem outros 1,5 mil trabalhadores terceirizados.
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