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Assessor de Neno comprava carros, vendia imóveis e lavava dinheiro do grupo, diz Gaeco
Preso na 4ª fase da Operação Successione, deflagrada no dia 25 de novembro do ano passado, ele é acusado pelo Gaeco de comandar a lavagem de dinheiro da organização criminosa
06/01/2026 09h14
Por: Tribuna Popular Fonte: O Jacaré
Assessor é acusado de comandar a lavagem de dinheiro para a família Razuk (Foto: Arquivo)

Então chefe de gabinete do deputado estadual Neno Razuk (PL), Marco Aurélio Horta, o Marquinhos, comprava veículos, vendia imóveis para a família do chefe e pagava dívidas de toda a família Razuk.

O deputado queria comprar um Corolla Cross e pede para o assessor providenciar a compra e o nome de um integrante do grupo para registrar o veículo. Também intermediava negócios para a mãe do parlamentar, a ex-prefeita de Dourados, Délia Razuk.

“Em outro diálogo, MARCO AURÉLIO trata sobre a compra de um veículo para NENO RAZUK, ficando evidente que o automóvel deveria ser financiado em nome de terceiro, potencialmente no nome do próprio MARCO AURÉLIO, que dá a entender que já fez o mesmo em favor de ROBERTO RAZUK”, pontua o Gaeco.

“Em 24 não aprova nem no seu NENO, nem no meu, (…), um Corolla Cross não é barato não, cara! vai dar parcela de 10 conto, num… isso ai se esquece, é 60 meses, é isso ai”, afirma o chefe de gabinete. No diálogo no aplicativo de conversa, eles tentam encontrar um nome para assumir o carro e ainda que tenha um salário alto na Assembleia Legislativa.

“Ainda, evidenciando que MARCO AURÉLIO atua como um dos operadores financeiros da OrCrim, consta diálogo que a ele foi enviada uma proposta feita por um credor que buscava receber valores elevados decorrentes de uma dívida contraída por NENO RAZUK”, destacaram os promotores.

Neste caso, o credor cobra uma dívida de R$ 240 mil, que foi parcelada em quatro parcelas de R$ 60 mil. Os promotores colocaram cópias dos cheques na ação penal. O credor calcula os juros e faz uma nova proposta para o deputado quitar a dívida, mas quem dá o aval e comanda a negociação é Marquinhos.

Até a mãe de deputado

Em outro diálogo, o ex-assessor reclama com Délia que comprou um automóvel e está sem dinheiro para cobrir a parcela, que é descontada na sua conta corrente. A ex-prefeita pede que ele intermediar a venda de um apartamento de R$ 540 mil.

“Em outro diálogo, constante das pp. 24-28 do Relatório de Informação de nº 127/SOI/GAECO/MPMS/2025, MARCO AURÉLIO intermedia a negociação e pagamento de valores referentes a um imóvel adquirido por DÉLIA RAZUK, o que somente evidenciar que o denunciado MARCO não serve somente a NENO RAZUK, mas sim ao clã RAZUK como um todo e consequentemente à OrCRIM”, destacaram os promotores.

Ao contatar uma corretora, ele ainda fala que vai incluir na venda um outro apartamento avaliado em R$ 460 mil, que pertence ao deputado. O chefe de gabinete destacou que o parlamentar não aceitava troca e queria o pagamento em dinheiro.

“No mais, ressaltando a importância de MARCO AURÉLIO para a OrCrim, especialmente nas atividades empresariais que tem objetivo de lavar o dinheiro oriundo do jogo do bicho, tem-se que o denunciado se apresentou como representante dos proprietários (família RAZUK) de uma área voltada à mineração, ao indivíduo identificado como ‘Alex’, funcionário da empresa (…), que é especializada na identificação de área propicia para realização de mineração no Estado do Mato Grosso”, apontaram.

“Importante pontuar, como já dito, que a família RAZUK lava o produto da exploração do jogo do bicho e outros jogos de azar em meio à atividade econômica regularmente constituída (mescla), utilizando, para tanto, empresas ligadas ao grupo, entre as quais a empresa Mineração Livramento Ltda e Auto Posto Principal Ltda”, revelaram, sobre a suposta estratégia do deputado para lavar o dinheiro do jogo do bicho.

O Gaeco denunciou Marquinhos, Neno Razuk, o pai, irmãos e mais 15 pessoas acusadas de integrar a organização criminosa armada, exploração do jogo do bicho e lavagem de capitais.