Em meio ao decreto de contingenciamento de despesas e cortes de salários, o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses da Silva Rocha, ganhou R$ 81.235 em um único mês.
Principal articulador político da gestão municipal, Ulisses recebeu o salário como secretário municipal e mais dois como “outros pagamentos” no mês de novembro do ano passado, quando substituiu Youssif Domingos. Ele era adjunto da Segov e foi alçado ao comando após a demissão do ex-deputado estadual.
Conforme o Portal da Transparência, Ulisses Rocha teve subsídio de R$ 19.028,90. Houve redução de 20% para cumprir o decreto de contingenciamento de Adriane, o que reduziu o valor do salário para R$ 15.213,12. Sobre esse valor, ele pagou Imposto de Renda e a contribuição previdenciária.
A prefeitura ainda pagou “penduricalho” de R$ 13.748,90 como vantagens eventuais e que não incidiu nenhum desconto. A prefeita briga na Justiça para não pagar IR sobre jetom e gratificações especiais.
Além disso, o secretário de Governo recebeu R$ 52.273,69 de pagamentos eventuais – esse valor teve desconto de R$ 5,9 mil e o valor líquido foi de R$ 46,3 mil. O valor pode ser acerto decorrente da exoneração do cargo de adjunto da Segov, onde ele tinha subsídio mensal de R$ 15.148,35.
O subsídio e os outros pagamentos, que totalizaram R$ 81.235,71 constam do Portal da Transparência. Em apenas um mês, na maior crise da história do município, com ruas tomadas por buracos e postos de saúde sem remédios, só para lembrar os problemas mais graves, a prefeita pagou o equivalente a 53 salários mínimos ao secretário. Um trabalhador comum levaria quatro anos para acumular o mesmo salário.
Para tentar tirar a cidade da crise, Adriane aumento o IPTU em até 396%. O contribuinte sofre o impacto do aumento abusivo na taxa do lixo. O secretário municipal de Fazenda, Isaac José de Araújo, afirmou que o objetivo é reduzir o déficit do valor de R$ 130 milhões pagos à Solurb, a polêmica concessionária do lixo.
A prefeita não voltar ao desconto de 20%, que foi adotado por 53 anos, e mantém os 10%, mesmo sob crítica da população e representantes da sociedade civil organizada. A OAB/MS e a Associação dos Advogados Independentes ingressaram com ação na Justiça para suspender o reajuste acima da inflação.
Na Câmara, vereadores aliados da prefeita buscam o retorno dos 20% como forma de aplacar a fúria da população e manter o aumento acima da inflação, que chegou a 396%.