Terenos, município vizinho da Capital, é um dos alvos, nesta terça-feira (10/02), da 5ª operação contra a corrupção em menos de dois anos. A cidade, que tem cerca de 17,6 mil habitantes, viu o prefeito Henrique Budke (PSDB), reeleito, ser preso e afastado do cargo em escândalo que envolveu mais de R$ 59 milhões. Ele segue fora da administração pública e monitorado com tornozeleira.
As ações miraram desvios financeiros em contratos de obras, serviços e comunicação. Elas iniciaram em agosto de 2024, quando o então secretário responsável pela infraestrutura na gestão tucana foi preso pelos agentes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Isaac Cardoso Bisneto foi o primeiro implicado em uma lista que somaria mais de 50 investigados, um ano depois.
A Operação Velatus, que resultou na prisão de Isaac, foi deflagrada com o objetivo de apurar organização criminosa que fraudava licitações na Secretaria de Obras do município. O grupo teria criado empresas sem estrutura ou experiência para celebrar contratos com a administração pública, visando obter vantagens ilícitas.
Isaac permaneceu na cadeia até fevereiro de 2025, ano em que, no mês de setembro, descobriria-se que Henrique Budke (PSDB) era o líder da organização criminosa que listou 59 investigados, incluindo um vereador em mandato, Arnaldo Glagau (PSD). A pequena cidade estava diante da Operação Spotless, a mais ostensiva ação contra agentes públicos e empresários ligados à administração municipal, deflagrada nos últimos anos em Terenos.
Henrique permaneceu custodiado por 20 dias no Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande. Seu período na cadeia marcou a transição para o governo interino ao vice-prefeito, Arlindo Lindolfe (Republicanos), que rescindiu todos os contratos com os investigados, alterou posições gerenciais na administração e iniciou processo de recuperação da confiança popular. Ao Jornal Midiamax, terenenses afirmaram estado de constrangimento, tristeza e degradação da confiança na classe política.
Vereadores da cidade ainda se esquivam de comentar a ação. A reportagem do Jornal Midiamax esteve na Casa de Leis em, ao menos, três oportunidades, onde parlamentares se negaram a manifestar sobre o ocorrido, enquanto outros buscaram amenizar o impacto dos acordos investigados. Enquanto isso, os cofres do município seguem custeando o salário de dois prefeitos, um afastado pela Justiça, monitorado com tornozeleira e proibido de se aproximar das repartições públicas, e outro atuando para preencher a lacuna do tucano com mandato suspenso.
Poucos meses depois, em janeiro deste ano, viaturas do Gaeco voltaram a ‘assombrar’ as ruas de Terenos. Desta vez, as Operações Simullatum e Collusion miraram 6 alvos de prisão e 30 de busca e apreensão. Um dos alvos era a revista ImpactoMais, que está em processo de venda para o Grupo Dakila, comandado por Urandir Fernandes. O dono do grupo de comunicação ImpactoMais, Eli de Sousa, foi preso.
O foco da investigação nestas ações, que ocorreram simultaneamente, mirou a existência de fraude em licitações na Prefeitura e na Câmara de Vereadores. Os serviços fraudados teriam relação com editoração gráfica, publicidade e locação de equipamentos de som. As irregularidades teriam iniciado em 2021.
Nesta terça-feira, 10, viaturas retornaram ao escritório e residência do empresário Rogério Ribeiro. Ele já havia sido mencionado na Operação Spotless.
Rogério é proprietário da empresa Marsoft Informática e foi candidato a vereador em 2016, ficando como suplente com 85 votos.
As ações desta nova operação também implicam alvos nos municípios de Rio Negro e Corguinho.
O Jornal Midiamax apurou que um dos alvos é a ex-prefeita, Marcela Ribeiro Lopes (PSDB), que teve sua casa ‘visitada’ pelo Gaeco. Já em Rio Negro, os investigadores visitaram endereços ligados ao ex-prefeito Buda do Lair (PSDB).
Em Terenos a administração municipal confirmou não ser alvo de busca e apreensão.