
O cenário político em Mato Grosso do Sul entrou em uma fase de ebulição com a proximidade da janela partidária e das convenções. A migração do ex-governador Reinaldo Azambuja para o PL, estrategicamente desenhada para garantir o apoio da legenda de Jair Bolsonaro à reeleição de Eduardo Riedel (PP), desencadeou uma série de conflitos internos. Embora Azambuja defenda publicamente que as pesquisas definirão os nomes da chapa majoritária, o presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, já sinalizou que o acordo prevê Reinaldo e Capitão Contar como os candidatos ao Senado.
A estratégia aplicada no Estado espelha o modelo adotado pelo PL em todo o País: Valdemar comanda as alianças para o Governo, enquanto Bolsonaro detém a palavra final sobre as candidaturas ao Senado. Para atrair o capital político do ex-presidente e blindar a gestão de Riedel, Reinaldo teria prometido não apenas disputar uma das vagas, mas também apoiar um segundo nome indicado diretamente por Bolsonaro. Essa "divisão de bens" política, no entanto, ignora as pretensões de outros quadros bolsonaristas que reivindicam legitimidade para a disputa.
A resistência interna é personificada por figuras como Gianni Nogueira (PL), que sustenta sua pré-candidatura baseada em uma promessa gravada em vídeo pelo próprio Bolsonaro, que teria garantido uma das vagas a uma representante feminina do grupo. No mesmo tabuleiro, o deputado Marcos Pollon (PL) — que antes mirava o Governo do Estado — agora se coloca à disposição para o Senado, condicionando sua decisão à vontade do ex-presidente. Essa sobreposição de promessas cria um ambiente de incerteza que desafia a autoridade do diretório estadual.
Além do conflito doméstico no PL, o acordo "fechado" ameaça asfixiar aliados históricos. Se a chapa pura de senadores for confirmada, o grupo de Riedel fechará as portas para coligações proporcionais e majoritárias com outras legendas. O senador Nelsinho Trad (PSD) ficaria impedido de coligar com a chapa governista, enquanto o PP, partido do próprio governador, teria que sacrificar as pré-candidaturas de Gerson Claro e Marcelo Miglioli ao Senado em nome da aliança com o bolsonarismo.
A bagunça política deve se intensificar nas próximas semanas, conforme os prazos eleitorais se afunilam. O desafio de Reinaldo Azambuja será pacificar o PL e, ao mesmo tempo, gerenciar a frustração dos partidos da base que se sentem escanteados pelo acordo nacional. Entre promessas de vídeo e acordos de gabinete em Brasília, a definição da chapa majoritária em Mato Grosso do Sul caminha para ser uma das mais conturbadas da história recente, testando a capacidade de Riedel em manter sua ampla coalizão unida.
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