
No ano de 2025, a prata teve um aumento acumulado de cerca de 147%, alcançando o recorde histórico de US$ 121,64 por onça troy — unidade de medida para metais preciosos — em janeiro de 2026. A cotação retrocedeu a US$ 77 por onça, valor ainda acima do habitual. Segundo o The Guardian, Elon Musk publicou em sua rede social, o X (antigo Twitter), que o aumento interferirá em diversos segmentos: "Isso não é bom. A prata é necessária em muitos processos industriais".
O valor da prata utilizado na fabricação de células fotovoltaicas teve aumento de US$ 5,22 por módulo de 450 W no início de 2025 para cerca de US$ 17,65. Células fotovoltaicas são as unidades básicas compostas por materiais semicondutores. É nela que ocorre a conversão de luz solar em eletricidade. Um conjunto de 60 a 72 células — dependendo do tamanho do módulo — forma os módulos fotovoltaicos, mais conhecidos como placas solares.
Atualmente, o setor fotovoltaico consome, aproximadamente, 196 milhões de onças troy de prata por ano. Valor equivalente a 17% do mercado global, sendo a prata negociada próxima ao valor de US$ 2,5 milhões por tonelada métrica.
Cobre pode substituir prata
Segundo a Associação Brasileira de Cobre (ABCOBRE), a condutividade elétrica da prata é melhor que a do cobre, por possuir elétrons mais livres para se mover do que os demais elementos. Ademais, a prata também tem a maior condutividade térmica e maior refletância de luz.
Embora a prata seja melhor condutora, as indústrias devem adotar o cobre como matéria-prima em suas produções de células fotovoltaicas. O valor do cobre está cotado em US$ 12,83 por tonelada, aproximadamente — valor da reportagem em janeiro de 2026. Portanto, o valor estimado de economia, considerando uma produção anual de cerca de 500 GW, pode chegar a US$ 15 bilhões para a indústria global. A viabilidade da substituição vem sendo estudada há anos, entretanto, a escalada no preço da prata acelerou o processo.
Mas, segundo o InfoMoney, a China pode influenciar o valor do cobre e fazê-lo chegar a US$ 14.400 por tonelada — em onças troy. A baixa do dólar torna as commodities mais atraentes aos investidores chineses, que, após o aumento da prata, voltaram-se ao cobre. Assim, empresas de energia solar acompanham a movimentação do mercado já visando mitigar as possíveis altas de precificação.
Antecipação impacta tomada de decisões nas empresas
Segundo Náchila Santos, CEO de Estratégias da EcoPower Eficiência Energética, a empresa acompanha o valor de todos os insumos utilizados na fabricação dos produtos disponibilizados ao mercado de energia solar. Assim, a empresa se antecipa ao mercado, adquirindo o necessário com antecedência, conseguindo assim mitigar o repasse na precificação ao consumidor final. "A EcoPower acompanha todos os componentes de nosso universo da energia solar. Pensamos em cada detalhe, desde a aquisição de insumos de nossos parceiros comerciais, a logística do traslado até sua chegada à empresa, montagem estrutural dos kits, até o pós-venda. Tudo para viabilizar o menor custo-benefício ao cliente. Nesse processo, até o valor de um simples parafuso importa, imagina o preço da matéria-prima da construção das células fotovoltaicas que constituem os módulos, o carro-chefe na nossa empresa", contextualiza.
A CEO afirmou que a empresa não se assustou com o aumento no preço da prata e vê sua substituição pelo cobre como fator determinante aos negócios: "A EcoPower tem acompanhado o aumento do valor da prata, que é o melhor condutor de eletricidade. Assim, buscamos adquirir uma quantidade de estoque que atenda à nossa demanda. Formulamos uma estimativa de valor para a venda final e nos empenhamos, internamente, para reduzir ao máximo o custo do investimento em energia solar ao consumidor final", enfatiza ela.
E continua sua análise: "Vemos com bons olhos a substituição pelo cobre, mas percebemos já essa especulação no preço do metal. É natural a uma empresa, que, quando uma matéria-prima se torna inviável, busque medidas cabíveis que não afetem sua lucratividade. O valor do cobre tende a subir, mas para a segmentação fotovoltaica, que é mundialmente crescente, não é bom que se aumente muito, porque será ponderado pelo mercado o custo-benefício. Se o valor do cobre aumentar demais, talvez a prata volte a ser utilizada pelas indústrias", disse Náchila.
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