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Descarbonização avança e encontra novos desafios

Pesquisa com 2.700 executivos de indústrias em 15 países aponta que 5% das empresas ouvidas já se declaram neutras em carbono

27/03/2026 às 16h32
Por: Tribuna Popular Fonte: Agência Dino
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ABB/Divulgação
ABB/Divulgação

A busca pela neutralidade de carbono está avançando na indústria de transformação, de acordo com dados de uma nova pesquisa da consultoria britânica Sapio Research, feita a pedido da fabricante de tecnologias de automação e eletrificação ABB.

Segundo o levantamento, baseado em 2.700 entrevistas com executivos de grandes empresas de 15 setores industriais, em 15 países, o Brasil entre eles, 5% dos entrevistados já dizem que suas organizações alcançaram o chamado net zero de carbono, avanço de dois pontos percentuais em relação à edição da sondagem feita em 2022. 

A pesquisa também identificou que a decisão de efetivar investimentos em projetos de eficiência energética voltados à economia de energia é hoje quase unânime entre os entrevistados. Cerca de 63% dos executivos dizem ter investimentos em curso; 29% pretendem começar em até 12 meses; 6%, em até três anos; e apenas 1% disse não ter planos de investir, embora quase todas as empresas já tivessem orçamento para o esforço. 

"A energia ainda absorve aproximadamente um quarto dos orçamentos operacionais. E para cerca de 60% das empresas, o aumento dos custos [da energia] agora ameaça diretamente a rentabilidade. Em resposta, o investimento tornou-se algo comum", analisa no sumário executivo da pesquisa Erich Labuda, presidente da Divisão Motion Services, da ABB. "Para as empresas, ela [eficiência energética] agora sustenta a rentabilidade, a resiliência, a conformidade regulatória e a competitividade de longo prazo", escreve. 

O levantamento identificou que o custo ainda é o maior desafio à efetivação de projetos de eficiência energética, mas sua influência nas decisões vem diminuindo. Se em 2022 50% dos executivos apontaram a falta de orçamento como o maior entrave, hoje a parcela é de 43%. Na perspectiva das empresas entrevistadas, a maioria com projetos implementados em áreas produtivas ou projetos-pilotos validados, atualmente o objetivo é escalar a eficiência energética, integrando operações e instalações. 

Nesse novo cenário, os desafios de execução ganharam relevância. A carência de habilidades digitais das equipes de implementação, por exemplo, foi apontada por 29% dos entrevistados como a maior barreira à eficiência energética, contra 28% em 2022. A incerteza sobre como avançar e a falta de conhecimento técnico são, para 26% dos executivos, a maior dificuldade em 2026, ante 24% em 2022. A carência de dados para validar resultados foi apontada por 23% em 2026 e por 22% em 2022. 

Outra constatação da pesquisa é que 29% dos entrevistados dizem não ter dados suficientes para fazer análises remotas, e outros 28% afirmam que os dados existem, mas estão mal organizados. Em relação aos dados, no entanto, há um esforço para sanar essa lacuna, com 67% dos executivos afirmando que já utilizam soluções digitais (35%) ou estão prontos para implementá-las (32%).

"O que falta é capacidade interna — pessoas capazes de interpretar dados, conduzir mudanças entre departamentos e sustentar iniciativas além de projetos piloto", resume o estudo sobre os desafios atuais. "A eficiência energética tornou-se uma agenda corporativa transversal, distribuída entre várias áreas, frequentemente sem coordenação central."

Com desafios que requerem competências específicas, um número maior de empresas decidiu prorrogar suas metas de neutralidade de carbono. Os executivos que acreditam poder atingir o objetivo em cinco anos passaram de 52% em 2022 para 43% em 2026. Os que esperam atingi-lo em dez anos eram 23% em 2022 e agora são 31%.

Há ainda um ponto preocupante: 1% dos executivos disseram que a neutralidade deixou de ser prioridade para suas organizações, opção de resposta introduzida em 2026, comparável só no próximo levantamento. 

"A eficiência energética deixou de ser apenas um desafio técnico para se tornar um desafio de liderança", resume Eric Labuda, da ABB.

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