Campo Grande (MS) — Flávio Bolsonaro ainda não pisou em Mato Grosso do Sul desde que foi lançado como pré-candidato do PL à presidência da República. Quando chegar, nesta quinta-feira, para a abertura da Expogrande, o estado não vai recebê-lo em silêncio.
Na Assembleia Legislativa, dois deputados protocolaram pedidos que serão votados em plenário nesta terça-feira e que resumem, em uma única pauta, a divisão política que o nome de Flávio Bolsonaro provoca. O deputado Pedro Kemp, do PT, quer que a Casa aprove uma moção de repúdio contra o senador. O Coronel David, do PL, quer que ele receba o título de visitante ilustre do estado.
O estopim do pedido de repúdio foi um discurso de Flávio nos Estados Unidos. Para Kemp, o senador ultrapassou o limite da oposição política ao pedir interferência americana no processo eleitoral brasileiro e ao tratar as reservas nacionais de terras raras e minerais críticos como objeto de negociação com o governo Trump. O deputado ancorou o pedido no artigo primeiro da Constituição Federal, que consagra a soberania nacional como princípio fundamental da República.
A visita em si já carregava outro roteiro antes da antecipação. Flávio Bolsonaro estava programado para chegar no dia 14, mas adiantou a agenda para a abertura da feira, segundo confirmou o presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja. O itinerário ainda não foi divulgado.
É a primeira vez que o senador desembarca no estado com o status formal de pré-candidato ao Planalto. Para o PL, a escolha da Expogrande como primeiro palco não é casual: trata-se de um dos eventos com maior concentração de lideranças rurais e empresariais de Mato Grosso do Sul, público estratégico para qualquer projeto de poder com pretensão nacional.