Tecnologias avançadas de ultrassonografia obstétrica têm ampliado a capacidade diagnóstica dos exames pré-natais, favorecendo a detecção mais detalhada de alterações fetais e avaliações específicas em gestações de risco, segundo revisão científica publicada na plataforma PubMed Central.
A análise ressalta recursos como ultrassonografia de alta resolução, exames tridimensionais e ferramentas com inteligência artificial (IA), associados ao acompanhamento do desenvolvimento fetal, identificação precoce de anomalias e maior precisão na avaliação gestacional.
O Dr. Ruy Mondolfo, ginecologista, obstetra e ultrassonografista, destaca que, nos últimos anos, a resolução da imagem e a rapidez do processamento dos equipamentos evoluíram. Segundo ele, a introdução do Doppler e do ultrassom 3D, 4D ou 5D aumentou progressivamente a gama de diagnósticos a ponto de resultar no surgimento da medicina fetal como especialidade.
"Graças aos avanços dessa tecnologia, são possíveis diagnósticos do crescimento fetal, da morfologia fetal, o que também permite a realização de cirurgias intraútero, que salvam vidas e proporcionam uma qualidade de vida antes inexistente. Além disso, com a IA, esse progresso continuará, fazendo com que a avaliação fetal seja mais apurada," afirma o ultrassonografista.
O obstetra observa que os exames morfológicos são de extrema importância no pré-natal porque avaliam riscos de doenças genéticas, como a trissomia do 21 e alterações morfológicas, que podem orientar a maneira de condução do acompanhamento. Além disso, as avaliações possibilitam a predição de riscos de doenças, como pré-eclâmpsia, auxiliando no início de medicações.
Conforme acrescenta o médico, o ultrassom morfológico de segundo trimestre amplia essa avaliação anatômica fetal, incluindo estruturas como cérebro, face, parte óssea, membros e coração. "Além de um balizamento para o médico, estes exames são tranquilizadores para as mães que, sabendo que está tudo bem, podem levar a gestação de modo mais tranquilo," declara o especialista.
Outro ponto relevante do exame morfológico é a avaliação do colo uterino, especialmente por meio da medida do comprimento cervical. De acordo com o Dr. Ruy Mondolfo, essa análise pode auxiliar na identificação de gestantes com maior risco de parto prematuro espontâneo, permitindo acompanhar o caso com mais atenção e, quando indicado, adotar medidas preventivas de forma mais oportuna.
A inclusão da ultrassonografia morfológica como parte obrigatória do pré-natal no Sistema Único de Saúde (SUS) foi aprovada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados em 2025, segundo notícia divulgada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
De acordo com o Dr. Ruy Mondolfo, outro exame incluso no pré-natal de rotina é o ecocardiograma fetal, para identificar doenças e malformações cardíacas, que estão entre as mais prevalentes. A avaliação é indicada se algo for detectado no ultrassom morfológico ou se houver antecedentes familiares.
"Este exame permite a preparação da equipe de neonatologia, por meio de um planejamento adequado para o nascimento, que pode ir de observação a tratamento cirúrgico," pontua o médico.
Qualidade de imagem e IA
O estudo publicado na PubMed Central também aponta que exames em 3D e 4D favorecem a visualização detalhada de estruturas fetais, como face, coluna vertebral e coração, e podem auxiliar na identificação de alterações sutis. A análise descreve ainda aplicações de IA em tarefas como reconhecimento de imagens e medição automática da biometria fetal, medidas utilizadas para acompanhar o desenvolvimento fetal.
"As tendências que devem moldar o futuro da ultrassonografia obstétrica nos próximos anos estarão cada vez mais ligadas à IA como uma ferramenta de auxílio para o médico. A IA em tempo real vai agilizar a detecção automática de anomalias com processos de automação da biometria e cortes tridimensionais que avisarão sobre alterações na imagem. Além disso, a melhora de resolução, captação e processamento da imagem será contínua," avalia o ultrassonografista.
Conforme relata o especialista, atualmente, a tecnologia 5D é um processo realizado pelo equipamento de ultrassom e pode ter nomes diferentes como baby face ou realistic vue, enquanto a tecnologia 8K é um processo gráfico acompanhado de IA que usa as imagens 5D e projeta uma imagem realista de como o bebê seria ao nascer.
"A tecnologia 5D e as imagens em 8K impactam sobremaneira a experiência das mães com o ultrassom, pois elas enxergam o bebê ao vivo, se movimentando, vendo o rosto, quando possível, realizando expressões. Isso traz tranquilidade e momentos de muito prazer às mães. De maneira muito gratificante, elas têm enviado fotos do bebê ao nascer, comparando com as imagens obtidas no 8K, que se revelam muito semelhantes," conta o médico.
O ultrassonografista alerta que a qualidade dos equipamentos pode influenciar a visualização das estruturas fetais e a segurança do diagnóstico. Ele afirma ser imprescindível que as gestantes procurem equipamentos modernos, que gerem imagens de alta qualidade e identifiquem diagnósticos.
"Também é importantíssimo realizar o exame com médico qualificado, com especialização e Registro de Qualificação de Especialidade (RQE). Portanto, realizar o exame em um lugar confiável, mesmo que isso seja um pouco mais oneroso, é um fator com o qual a gestante deve se preocupar," reforça o obstetra.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que a ultrassonografia pré-natal realizada por um profissional de saúde qualificado contribui para a detecção precoce de condições gestacionais que nem sempre são facilmente identificadas, permitindo estratégias de manejo clínico mais adequadas e uma melhor experiência da gestante. A entidade recomenda a realização de ao menos um exame de ultrassom antes das 24 semanas de gestação.
Para mais informações, basta acessar: drruymondolfo.com.br/