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Baía de Guanabara é porta de entrada para fuzis no RJ

05/01/2018 às 12h06
Por: Tribuna Popular
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A Baía de Guanabara é uma importante rota de entrada de armas e drogas na cidade do Rio e na Baixada Fluminense, segundo investigações do Ministério Público do Rio. O policiamento, no entanto, é praticamente inexistente. Marinha e Polícia Militar empurram para a Polícia Federal a responsabilidade por impedir o tráfico nos 380 km² da baía. Segundo informações obtidas pelo G1, a patrulha fica a cargo de três ou quatro policiais federais por turno. Em 2017, não houve registro de apreensão de fuzis pela PF na região.





Segundo policiais, falta efetivo para combater o tráfico de armas. Fuzis como o .50, exibido em vídeo com aliados do traficante Rogério 157, chegam às mãos de quadrilhas por meio de barcos pequenos com acesso a comunidades à beira da água.






 "Navios chegam à baía com armas de grande porte, como fuzis. Dali, são descarregadas para embarcações menores, bastante comuns na região, e distribuídas pelas comunidades que ficam no entorno", afirma o promotor do Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, Alexander Araújo.

As favelas localizadas nas margens da Baía de Guanabara e dominadas por traficantes estão em pelo menos três cidades. O Dendê, na Ilha do Governador, Zona Norte da capital; Beira-Mar, em Duque de Caxias; e o Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, estão entre os principais pontos de receptação dos fuzis.




"A Baía de Guanabara é uma terra de ninguém. Tudo passa por ali e não há policiamento nenhum. O que chega a surpreender, porque há anos essa travessia de armas ocorre no local. Por ser uma rota de entrada de fuzis mais que conhecida, a baía deveria ser uma área de patrulhamento constante", afirmou a professora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Candido Mendes, Silvia Ramos.





A facilidade que bandidos encontram para transportar fuzis na Baía de Guanabara não deverá ser comprometida. É o que se pode compreender pelas respostas enviadas pelas forças de segurança ao G1.





Por meio de sua assessoria de imprensa, a Polícia Militar informou que o Grupamento Marítimo e Fluvial da corporação atua na Baía de Guanabara apenas no combate a crimes ambientais – caso algum armamento seja detectado durante as operações, é levado à delegacia responsável.





Situação semelhante ocorre com a Capitania dos Portos, submetida à Marinha do Brasil. Por meio de nota, o órgão informou o seguinte:





"A Marinha do Brasil, por meio do Comando do 1º Distrito Naval, esclarece que a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro atua nas águas interiores e no litoral fluminense, fiscalizando o tráfego aquaviário e cumprindo as atribuições legais da Autoridade Marítima brasileira, no que se refere à segurança da navegação, à salvaguarda da vida humana no mar e à prevenção de poluição ambiental, provocada por embarcações."





G1 apurou que o Núcleo Especial de Policiamento Marítimo (Nepom) da Polícia Federal possui um efetivo de 25 agentes, mas apenas três ou quatro atuam em cada plantão: um permanece na imigração do porto e os outros dois ficam no próprio núcleo. O Nepom possui, pelo menos, três embarcações e dois jet-ski, entre elas uma lancha de 45 pés blindada, que demanda quatro policiais um piloto, um tripulante e mais dois agentes armados.





O núcleo vem atuando apenas em apoio às delegacias da Polícia Federal. Já se considerou a criação de um divisão de investigação marítima. No entanto, mais uma vez devido à falta de efetivo, a ideia foi abandonada.





Em 30 de dezembro passado, agentes da Polícia Federal prenderam três suspeitos em flagrante por tráfico de drogas e apreenderam aproximadamente 380 quilos de cocaína que estavam em um barco de pesca na Baía de Guanabara.


Recorde de apreensões




"Arma de cano longo, carabina, espingarda". É dessa forma, econômica e simples, que os dicionários definem o fuzil. A realidade que envolve essa arma, no entanto, é bem mais complexa.





Marca registrada da criminalidade carioca, o armamento concebido para ser usado apenas em guerras e confrontos de grande proporções, teve sua utilização banalizada na capital fluminense e na Região Metropolitana do Rio – mesmo para cometer crimes de menor potencial ofensivo, é comum ver bandidos portando fuzis.




 Segundo o Instituto de Segurança Pública, junho de 2017 foi o mês com o maior número de apreensões de fuzis nos últimos 10 anos: foram 93 unidades, sendo que 61 delas foram apreendidas durante uma operação realizada pela Polícia Civil no dia 1 de junho, no Aeroporto do Galeão. Investigações apontam que as armas foram pedidas pelo traficante Rogério 157, um dos pivôs da guerra que aterrorizou os moradores da Rocinha em setembro de 2017 e que acabou preso no dia 6 de dezembro, na Favela do Arará.


Até novembro de 2017, 400 fuzis já haviam sido apreendidos no Rio de Janeiro.





Ainda assim, o número de fuzis em circulação nas favelas cariocas é tão elevado que as próprias autoridades não se arriscam a estimar quantos estariam nas mãos dos criminosos.




"Essas armas vêm de outros países, tanto vizinhos quanto de nações mais afastadas. O que nós percebemos é que, onde há circulação de mercadoria lícita, como portos, aeroportos e rodovias, também há passagem de material ilegal, como drogas e armas. A fronteira do Brasil é muito grande e o aparato estatal para impedir esse tipo de crime está aquém do necessário. Por isso, o criminoso tenta o tempo todo burlar a fiscalização e fazer com que esse armamento chegue aqui", diz o titular da Delegacia Especializada em Armas e Explosivos (Desarme), Fabrício Oliveira.




 A extensão das fronteiras do Brasil com outros países do continente e a insuficiência de efetivo para patrulhá-las é um elemento que facilita a entrada de armas em território nacional. O país tem 16.886 quilômetros de fronteiras com nove países da América do Sul: Uruguai, Argentina, Bolívia, Paraguai, Peru, Venezuela, Colômbia, Guiana e Suriname, além do Departamento Ultramarino Francês da Guiana.


"Esses fuzis chegam à América do Sul, na Colômbia e Venezuela, mas sobretudo no Paraguai, vindos dos Estados Unidos, de países do leste europeu e também da China, nação onde são fabricadas armas de qualidade inferior e, portanto, mais baratas. O armamento entra no Brasil tanto por via terrestre quanto, no caso do Rio de Janeiro, por via marítima, aproveitando-se da fragilidade encontrada na Baía de Guanabara", explicou o promotor.




Para o diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (Abseg), Vinícius Cavalcante, é impossível fiscalizar uma área tão extensa.





"Temos que deixar uma coisa clara: todo o trabalho e esforço das forças de segurança nas fronteiras podem diminuir a chegada de armas em território nacional, mas é ilusório acreditar que é possível conseguir, com a extensão fronteiriça que o Brasil tem, fechar o país à entrada clandestina de armamento. Tome, como exemplo, a tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, em Tabatinga, no Amazonas. Ali há pontos onde o Rio Solimões possui mais de um quilômetro de distância entre uma margem e outra e por onde passam muitas armas. Como é que se consegue vigiar um espaço desse tamanho?", indaga.


*G1










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