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Bela-vistense Brígido Ibanhes é eleito para Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
Escritor ocupará a cadeira 13 e levará à instituição uma trajetória dedicada à memória e à cultura da fronteira
17/06/2026 19h11
Por: Tribuna Popular Fonte: Da Redação
Brígido Ibanhes - Foto: Divulgação

O escritor, pesquisador e ativista cultural Brígido Ibanhes foi eleito, na quarta-feira (10), membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL). Natural de Bela Vista e radicado há várias décadas em Dourados, ele passará a ocupar a cadeira 13, anteriormente pertencente ao jornalista Antônio João Hugo Rodrigues, falecido em 2023.

Ex-funcionário do Banco do Brasil, Brígido construiu uma trajetória marcada pela valorização da memória regional e das relações culturais existentes na fronteira entre Brasil e Paraguai. Sua produção literária aborda personagens, costumes, histórias populares e aspectos da convivência entre as culturas brasileira, paraguaia e guarani.

Na mesma eleição, o cronista e romancista campo-grandense André Alvez foi escolhido para ocupar a cadeira 28, que pertenceu ao escritor e acadêmico Augusto César Proença, também falecido em 2023. As datas das posses dos dois novos integrantes ainda serão definidas pela direção da Academia.

Com a eleição de Brígido, Dourados passa a contar com três representantes na instituição. O poeta Emmanuel Marinho e o professor Paulo Nolasco já integram o quadro da ASL.

O presidente da Academia, Henrique Alberto de Medeiros Filho, destacou que os novos acadêmicos representam trajetórias relevantes para a cultura sul-mato-grossense. Segundo ele, Brígido e André contribuem não apenas como escritores, mas também como participantes ativos da construção cultural do Estado.

O secretário-geral da entidade, Rubenio Marcelo, afirmou que as escolhas fortalecem a história da chamada Casa de Ulysses e contribuem para a preservação e o desenvolvimento da literatura, da língua e da cultura de Mato Grosso do Sul.

Ao comentar a eleição, Brígido ressaltou que chega à Academia levando consigo a literatura fronteiriça, construída a partir da mistura de povos, idiomas e tradições que caracteriza Mato Grosso do Sul.

“Chego à ASL com o sapicuá cheio da literatura fronteiriça, a que sempre tentei valorizar e incentivar”, declarou o escritor, destacando também a presença de palavras e expressões em guarani no cotidiano e na identidade cultural do Estado.

Autor de 11 livros, Brígido Ibanhes tem entre suas obras mais conhecidas “Silvino Jacques: O Último dos Bandoleiros”, “Che Ru (Chirú): O Pequeno Brasiguaio” e “Che Retã”. Seus trabalhos também são utilizados como referência em pesquisas acadêmicas voltadas à literatura regional e à cultura de fronteira.

Além da produção literária, Brígido participou da criação e do fortalecimento de instituições culturais. Foi membro-fundador e primeiro presidente da Academia Douradense de Letras, integrou o Conselho Municipal de Cultura de Dourados e atuou em projetos relacionados aos direitos humanos e à valorização da literatura.

Fundada há 54 anos, a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras possui 40 cadeiras vitalícias e segue o modelo da Academia Brasileira de Letras. A instituição reúne escritores, pesquisadores e intelectuais que contribuíram para a formação da identidade cultural do Estado.

A eleição de Brígido Ibanhes representa o reconhecimento de uma trajetória dedicada à preservação das histórias, da linguagem e das tradições da fronteira, levando a experiência cultural de Bela Vista, Dourados e de toda a região para uma das principais instituições literárias de Mato Grosso do Sul.