Deputados estaduais e prefeitos mencionados em conversas analisadas na Operação Gutenberg não são investigados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. O esclarecimento foi feito pelo procurador-geral de Justiça, Romão Ávila Milhan Júnior, em entrevista ao podcast Política de Primeira, divulgada nesta segunda-feira (20).
Segundo o chefe do Ministério Público Estadual, os nomes das autoridades apareceram em mensagens encontradas em um celular apreendido durante a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, o Gaeco.
Por envolver pessoas com prerrogativa de foro, o material foi encaminhado para análise do procurador-geral. Após avaliar as informações reunidas, Romão Ávila afirmou não ter identificado indícios suficientes para justificar a abertura de uma investigação específica contra deputados ou prefeitos.
“Há a citação deles, os nomes deles, no celular, mas a simples citação não quer dizer que tenham praticado qualquer ato no caso”, declarou.
O procurador ressaltou que a presença de um nome em conversas ou registros apreendidos não comprova participação em possíveis irregularidades. Segundo ele, qualquer decisão de iniciar uma investigação precisa estar baseada em elementos concretos, e não apenas em referências feitas por terceiros.
“Não encontramos elementos mínimos que pudessem motivar a abertura de uma investigação específica sobre o possível envolvimento de agentes políticos neste caso”, afirmou.
Diante da ausência desses elementos, os autos foram devolvidos para que o trabalho prossiga em relação aos investigados originais. Conforme o procurador-geral, a apuração permanece concentrada em um servidor público e em particulares que já eram alvos dos procedimentos.
Deflagrada em julho de 2026, a Operação Gutenberg apura a suposta atuação de uma organização criminosa em contratos envolvendo livros paradidáticos e recursos destinados à saúde pública.
De acordo com a investigação, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 27 milhões por meio de possíveis fraudes e desvios.
Os investigadores suspeitam que integrantes do esquema utilizavam influência sobre a Central Estadual de Regulação para vincular a liberação de leitos, exames e cirurgias do Sistema Único de Saúde à contratação de materiais fornecidos pela Editora Avante por municípios de Mato Grosso do Sul.
Mandados de busca e apreensão e de prisão foram cumpridos no dia 7 de julho. As investigações continuam para apurar a responsabilidade das pessoas inicialmente apontadas como participantes do suposto esquema.