
Depois de vários dias de impasse, foi definida neste sábado (31) a sucessão no Ministério da Saúde. O presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, assume o posto, hoje ocupado pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR), que deixa o cargo para concorrer a um novo mandato na Câmara dos Deputados. A transmissão do cargo ocorre na segunda, às 10h30.
A negociação foi feita entre o presidente Michel Temer e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira. Conforme Nogueira, o atual vice-presidente de Habitação da Caixa, Nelson Antônio de Souza, assume a presidência do banco estatal.
Ligado ao PP, Occhi vinha sendo cotado para a Saúde havia dias. A transferência do cargo estava marcada para semana passada, mas na última hora a indicação foi suspensa, diante do receio de que, com a transferência, o partido perdesse o comando da Caixa. As negociações continuaram e, neste sábado, as trocas foram confirmadas.
A indefinição sobre a chefia do Ministério da Saúde e da Caixa tem como pano de fundo a própria sucessão presidencial. Há duas semanas, Temer havia sinalizado o desejo de receber um apoio mais explícito do PP à sua candidatura à Presidência. O jogo mudou, no entanto, na última quinta-feira, depois da Operação Skala, que apura supostos benefícios no setor portuário e prendeu amigos do presidente, como o advogado José Yunes e o coronel reformado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho.
Diante desse quadro, a busca por apoios ao governo teria se tornado mais urgente ao presidente do que a montagem de alianças por sua reeleição. Há a possibilidade de a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar uma nova denúncia contra Michel Temer, a terceira em menos de um ano, desta vez com base no inquérito que investiga suposto recebimento de propina pelo presidente e aliados dele em troca de benefícios a operadoras de terminais portuários com o Decreto dos Portos, editado por Temer em 2017.
Caso a PGR denuncie o emedebista, caberá à Câmara decidir se a acusação pode ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As duas denúncias anteriores contra o presidente, ambas apresentadas pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot no âmbito da delação premiada do Grupo J&F, foram barradas pelos deputados em 2017 e suspensas até que Michel Temer deixe a Presidência.
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