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Doença cardiopulmonar é desconhecida por 62% dos brasileiros
Dados da Ipsos mostram que Hipertensão Pulmonar Tromboembólica Crônica (HPTEC) pode ser confundida com hipertensão arterial sistêmica e atrasar diagnóstico e tratamento oportuno; diante desse cenário, Conitec abre consulta pública para avaliar inc...
22/10/2026 16h27
Por: Tribuna Popular Fonte: Agência Dino

O cansaço constante e a falta de ar ao subir um lance de escadas costumam ser atribuídos ao sedentarismo, ao ganho de peso ou ao envelhecimento natural. No entanto, esses sintomas graduais podem sinalizar uma condição vascular rara, progressiva e potencialmente fatal: a Hipertensão Pulmonar Tromboembólica Crônica (HPTEC). Um levantamento inédito realizado pela Ipsos, a pedido da Bayer, revela que 62% dos brasileiros nunca ouviram falar na doença. Um agravante, mesmo entre a minoria de 38% que afirma conhecer a patologia, 81% admitem ter apenas conhecimento básico ou nenhum sobre ela, atrasando de forma crítica a chegada ao tratamento.

A busca pelo diagnóstico esbarra na frequente confusão da patologia com a hipertensão arterial convencional (a pressão alta comum). Segundo o estudo da Ipsos, embora 73% saibam que as condições são distintas, 22% dos que afirmam conhecer a HPTEC não sabem apontar nenhuma diferença prática entre elas. Além disso, 42% acreditam erroneamente que a pressão alta sistêmica é a causa direta da obstrução pulmonar.

A "Pesquisa sobre conscientização da HPTEC" escutou 1.000 pessoas das cinco regiões do país. Entre os sintomas da HPTEC, a falta de ar ao realizar esforços físicos foi a mais citada (62%), seguida por fadiga constante (55%). O levantamento constatou, contudo, uma profunda lacuna de entendimento: apenas 33% dos brasileiros reconhecem o impacto real da HPTEC na vida produtiva, ignorando que a evolução da patologia pode impedir o indivíduo de trabalhar ou praticar atividades físicas básicas.

"Em termos simples, a HPTEC acontece quando um coágulo de sangue fica preso no pulmão e, em vez de se dissolver com o tempo, se transforma em um tecido fibroso que dificulta a passagem do sangue", explica o médico pneumologista Dr. Rodrigo Lima. Segundo o especialista, esse bloqueio físico sobrecarrega diretamente o sistema cardiovascular. "Com os canais de circulação de sangue dos pulmões obstruídos, o lado direito do coração precisa fazer uma força extrema para continuar bombeando o sangue. Com o tempo, o coração vai dilatando e perdendo a força, o que pode levar à falência cardíaca e ao risco de morte. Descobrir a doença logo no início e ter acesso ao tratamento adequado é a única forma de evitar esse desgaste irreversível", complementa.

Cerca de 40% das pessoas diagnosticadas são consideradas inoperáveis, devido à localização das lesões ou comorbidades. "Para essa parcela de inoperáveis ou com doença persistente após a cirurgia, a medicina não dispõe de múltiplas alternativas. Existe a possibilidade de realização de angioplastia pulmonar em alguns pacientes, procedimento realizado por cateterismo, com uso de um balão para atuar diretamente nos vasos comprometidos pelos coágulos. O medicamento riociguate é a única molécula com eficácia clínica comprovada e aprovada pela Anvisa no Brasil para essa finalidade terapêutica. O riociguate atua estimulando diretamente a enzima guanilato ciclase solúvel, promovendo a vasodilatação pulmonar e restaurando a autonomia física desse paciente", afirma Dr. Lima. A conscientização sobre os sinais de alerta permanece como a principal ferramenta para que a fadiga progressiva não seja normalizada e o cuidado correto possa ser instituído a tempo.

Abertura da consulta pública da Conitec: oportunidade de transformação

É nesse cenário de diagnóstico tardio, alto índice de desconhecimento e forte impacto na capacidade funcional e na autonomia dos pacientes que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) avalia o riociguate. A abertura da consulta pública se consolida como um espaço fundamental para que especialistas, pacientes e a sociedade civil contribuam com dados e experiências sobre a condição e a tecnologia em análise.

A abertura desta consulta pública representa um momento decisivo para trazer visibilidade à HPTEC e buscar equidade no atendimento pelo SUS. Para os pacientes inoperáveis ou que mantêm a doença após a cirurgia, garantir o acesso ao tratamento medicamentoso adequado e ao diagnóstico célere é fundamental para conter a progressão da enfermidade e devolver qualidade de vida.

Todo cidadão pode participar da consulta pública, dando seu parecer sobre a inclusão do medicamento. Os interessados devem acessar o site da Conitec (link para o site) entre hoje e o dia 10 de novembro, realizar o cadastro necessário e deixar sua contribuição. A participação da comunidade médica e da sociedade nessa consulta é essencial para mudarmos essa realidade.