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No bazar de Teerã, dólar preocupa mais que eleições

26/02/2016 às 13h09
Por: Tribuna Popular
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Diante da entrada do principal bazar de Teerã, uma pequena multidão se reúne. Alguns homens arriscam a subir em uma plataforma para gritar, enquanto outros respondem ferozmente do chão. A polícia está a uma curta distância. Não se trata de um enfrentamento entre facções reformistas e opositores, mas sim, de um mercado negro de dinheiro, onde se vende e compra dólar à luz do dia. "Somos nós os donos da nação", afirmam.

Nos bazares de Teerã, que atraem dezenas de comerciantes da capital iraniana, a preocupação maior é com o câmbio e as possíveis flutuações do dólar, e não com as eleições iniciadas nesta sexta-feira para renovar o Parlamento e a chamada Assembleia dos Especialistas, responsáveis por nomear o líder supremo do país. Com poderes limitados, não se esperam grandes novidades do Legislativo eleito, com exceção de mudanças na política econômica, já que o Irã vive um momento de abertura política e econômica graças ao acordo nuclear com as potências ocidentais e a retirada de sanções financeiras.

"Metade dos comerciantes dos bazares não vão votar, e os outros 50% se dividem entre idosos, simpatizantes dos conservadores, e jovens, que são mais propensos a apoiar os reformistas", disse Aghil, de 30 anos, vendedor de eletrodomésticos. Os bazares (no país, além de lojas físicas, são também ligas de comerciantes) têm um papel importante na história do Irã. Sua aliança com a ala xiita decretou o fim do regime do xá. Mesmo que sejam menos poderosos hoje que em 1979, os bazares de Teerã continuam controlando um terço das vendas de todo o país e determinando o preço dos produtos.

Ao ser questionado sobre se estava preocupado com a concorrência provocada pela abertura econômica do presidente Hassan Rohani, Aghil, que apoia os reformistas, respondeu: "Não, ao contrário. A economia iraniana está paralisada e necessita se recuperar, precisa de investimentos. A reconexão com o sistema bancário mundial nos permitirá usar outra vez os cartões de crédito, o que é um instrumento vital", disse.

"Com o acordo nuclear, a situação econômica parece estar melhor", afirmou Adel, de 28 anos, proprietário de uma floricultura. "Dizem que é preciso esperar alguns meses para saber se a situação mudará ou não. Certamente, a estabilidade do dólar é um fator determinante para nós, para as importações e exportações. A abertura a investimentos estrangeiros será importante para o crescimento do país", completou. Apesar de apoiar a conjuntura atual, Adel confessou que não irá às urnas. "A política é algo sujo da qual não se pode esperar nada", criticou.

(Com ANSA)

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