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Brasil cai quatro posições no ranking global de importadores

08/04/2016 às 12h53
Por: Tribuna Popular
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A crise econômica no Brasil e o real desvalorizado fizeram o país a sofrer em 2015 a segunda maior queda de importações entre as grandes economias do mundo. O declínio, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), vai se intensificar em 2016 e pode continuar em 2017.

Em 2015, a redução nas importações foi de 25,2%, colocando o país na 25ª posição entre os principais mercados. Em 2013 e 2014, o Brasil aparecia na 21ª posição entre os maiores importadores. Com a queda de quatro lugares no ranking da OMC, o país já é ameaçado por Malásia e Arábia Saudita.

No ano passado, o Brasil somou compras de 179 bilhões de dólares, montante inferior ao de países como Polônia e Turquia. Não foi só em valores que a redução ocorreu. Enquanto as importações físicas aumentaram em 4,5% em 2015 no mundo, as do Brasil caíram 15%. O recuo foi maior até mesmo que o da Venezuela, que registrou queda de 13%.

Os dados são da OMC. "Quando a economia desacelera, um indicador é a redução de compras. No caso do Brasil, essa queda foi significativa", disse Roberto Azevedo, diretor da entidade.

A contração pode continuar em um ritmo ainda maior. Na América Latina, a queda da produção foi de 1% em 2015. Mas deve se aprofundar para uma retração de 1,7% em 2016. "Parte substancial disso vem do Brasil", disse Robert Koopman, economista-chefe da OMC.

Nos três primeiros meses do ano, os dados apontam para uma contração ainda maior que a de 2015. As compras do país somaram 32 bilhões de dólares, 33,4% a menos que no mesmo período de 2015. O resultado desse recuo foi o maior superávit (diferença entre exportações e importações) dos últimos 28 anos. A OMC alerta que nem sempre um superávit alto pode ser um resultado positivo, já que, às vezes, ocorrer por causa de recessão interna - o que é o caso do Brasil no momento.

A queda contrasta com a expansão registrada até 2012, com saltos de mais de 20% por ano nas importações. A tendência levou centenas de multinacionais a cobiçar o mercado brasileiro, investir e compensar suas fracas vendas na Europa com apostas no Brasil.

Hoje, entre as 30 maiores economias do mundo, apenas a Rússia registrou uma contração de compras superior à do Brasil, com queda de 37% em valores e em volume. Moscou, porém, vive ainda sob o embargo da União Europeia e dos EUA por causa dos conflitos na Ucrânia.

No lado das vendas ao exterior, o Brasil também teve uma das maiores quedas, com contração de 15,1% em valores, colocando o país na 25ª posição entre os exportadores. Hoje, os produtos nacionais representam apenas 1,2% do mercado mundial.

(Com Estadão Conteúdo)

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