
O ministro das Relações Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn, pediu que a Hungria seja expulsa ou afastada da União Europeia (UE) devido a seu tratamento hostil aos refugiados. Em entrevista ao jornal alemão Die Welt, publicada nesta terça-feira, Asselborn afirmou que o país cometeu “violações massivas” dos valores fundamentais do bloco.
“Qualquer um que, como a Hungria, constrói cercas contra refugiados de guerra ou que viola liberdade de imprensa e independência judicial deve ser expulso temporariamente ou, se necessário para sempre, da União Europeia”, comentou o ministro de Luxemburgo. “Eles não estão longe de abrir fogo contra os refugiados”, sugeriu.
A Hungria recebeu um grande fluxo de imigrantes no último ano, quando mais de 1 milhão de pessoas avançou pela Europa central em direção à Alemanha e outros países. Para evitar a chegada de refugiados, o governo fechou as fronteiras com a Sérvia e a Croácia e construiu uma cerca de arame farpado com 175 quilômetros de comprimento. Além disso, 10.000 policiais e soldados foram alocados como guardas de fronteira.
No dia 2 de outubro, os húngaros participarão de um referendo onde serão questionados sobre aceitar a cota de refugiados determinada pela UE. O primeiro ministro do país, Viktor Orban, criticou fervorosamente o plano do bloco de enviar 1.294 refugiados à Hungria e tem feito campanha para que os cidadãos votem para rejeitar a medida. Em panfletos enviados à população, o governo utilizou o slogan “Nós temos direito de decidir com quem queremos viver”.
Em resposta às críticas de Luxemburgo, o ministro das Relações Exteriores húngaro Peter Szijjarto afirmou que Asselborn “há muito tempo deixou a lista de políticos que podem ser levados a sério”. Segundo Szijjarto, o ministro é “paternalista, arrogante e frustrado”. A Hungria foi aceita na UE em 2004 e, apesar de o bloco poder rejeitar a entrada de um candidato, não acredita-se que os membros tenham poder de expulsar um Estado participante.
*Veja
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