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Moradores de Alepo não têm para onde fugir

16/12/2016 às 12h56
Por: Tribuna Popular
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Na guerra civil da Síria, a batalha pelo controle do território segue em paralelo com uma guerra psicológica, de propaganda. Em ambas há o envolvimento de outros países da região. Esta semana, tropas do ditador sírio Bashar Assad e da milícia libanesa Hezbollah, com ajuda da força área russa, dominaram quase totalmente a parte leste de Alepo, a segunda maior cidade do país. Segundo a ONU, as forças de Assad mataram a tiros 82 civis, incluindo treze crianças. Temendo serem estupradas, vinte mulheres teriam se suicidado.

Um clérigo islâmico ganhou seguidores no Twitter ao espalhar o rumor de que alguns homens cogitavam matar esposas e irmãs para não ter de vê-las sendo violentadas pelos soldados. Não há confirmação independente de que isso seja verdade, mas não seria de estranhar, considerando que antes de ser tomado por Assad, o leste de Alepo estava submetido à lei islâmica, o que significa que as mulheres eram tratadas como propriedade dos homens.

De acordo com a Anistia Internacional, os chamados “rebeldes” pertencem a cinco grupos terroristas. Os mais cruéis com a população são a Frente Nusra (ligada à Al Qaeda) e a Ahrar Sham. Ambos recebem ajuda da Turquia, do Catar e da Arábia Saudita. Sob o seu jugo, os civis que questionavam os tribunais islâmicos ou tentavam sair do bairro corriam o risco de serem presos, torturados ou mortos. Ou seja, eram usados como escudos humanos.

Às vésperas da tomada de Alepo, ativistas e jornalistas ligados a veículos estatais da Turquia, do Catar e da Arábia Saudita iniciaram uma série de vídeos dramáticos de “despedida”, alguns protagonizados por crianças. Pura propaganda de guerra, tão ilusória quanto a segurança dos primeiros 1.000 moradores evacuados de Alepo em vinte ônibus e dez ambulâncias nesta quinta-feira, depois de um curto cessar-fogo. Eles foram levados para Idlib, cidade sob controle rebelde que será o próximo alvo prioritário dos ataques de Assad. Pobres sírios, obrigados a equilibrar suas frágeis existências entre um ditador sanguinário e a tirania de radicais islâmicos.

*Veja

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