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Saiba como uma “guerra quente” entre Rússia e Ucrânia pode afetar a economia

Para o Brasil, chegada às vias de fato de um conflito no leste europeu, pode abalar atual "período de bonança" no mercado financeiro, favorecido pela migração dos investidores para commodities e juros altos

24/02/2022 às 08h47
Por: Tribuna Popular Fonte: Juliana Elias, do CNN Brasil Business
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REUTERS/Antonio Bronic - Guardas de fronteira ucranianos patrulham região fronteiriça com a Rússia na região de Járkov 23/02/2022
REUTERS/Antonio Bronic - Guardas de fronteira ucranianos patrulham região fronteiriça com a Rússia na região de Járkov 23/02/2022

Quedas expressivas nas bolsas de valores, altas generalizadas do dólar e escassez de produtos que já estão na berlinda, como petróleo e grãos, são alguns dos efeitos relacionados por analistas consultados pelo CNN Brasil Business no cenário de guerra entre Rússia e Ucrânia.


A escalada nos últimos dias do conflito já vinham redesenhando as expectativas da comunidade internacional, e a leitura de que as ameaças do presidente russo, Vladimir Putin, de um ataque militar à Ucrânia poderiam evoluir para uma guerra se concretizou.


Os países entraram em choque nas primeiras horas da madrugada desta quinta-feira (24), após semanas de tensão. Uma operação militar nas regiões separatistas do leste ucraniano, explosões e sirenes foram ouvidas em várias cidades do país.


A rápida escalada das tensões já refletiram no mercado financeiro, com bolsas de valores despencando em diferentes países, aprofundando as quedas da véspera. Em Moscou, a bolsa suspendeu as negociações em todos os seus mercados nesta manhã por tempo indeterminado.


No mundo econômico, a simples tensão entre Rússia, Estados Unidos e potências europeias, uma troca de ameaças, embargos e tentativas de negociações que já se arrastam há meses, já foi o suficiente para fazer os primeiros estragos.


O preço do petróleo, do gás e de alimentos como trigo e milho, produtos dos quais Rússia e Ucrânia são fornecedores estratégicos, já estão em alta nos mercados internacionais, pressionando ainda mais os custos para o mundo inteiro.


As principais bolsas do mundo também estão sofrendo. Em Nova York, o S&P 500 cai 11% desde o começo do ano e a Nasdaq, de tecnologia, despenca 17%. O índice de referência das bolsas europeias Stoxx 600 retraiu 7% até aqui.


A chegada às vias de fato de um conflito militar, ainda mais na saída de uma pandemia que abateu o planeta, pode piorar este cenário.


Guerra fria


Segundo o economista-chefe da Órama, Alexandre Espirito Santo, até ontem, o mercado não havia “comprado de fato” uma ‘guerra quente’. Mas, com a guerra, “o nível de estresse será completamente outro.”


O chefe da área de research da Ativa Investimentos, Pedro Serra, atribui à tensão no leste europeu uma primeira leva de fuga das bolsas de valores em direção a ativos de menos risco e também a pressão sobre os preços do petróleo e dos grãos nas negociações internacionais.


“Já há uma aversão ao risco acontecendo, com os investidores buscando um porto seguro, e também uma transferência dos receios para os mercados de commodities”, diz Serra.


“O mercado é movido a expectativa, ele não espera acontecer e já antecipou muita coisa. Mas o pior cenário, de uma guerra entre países, não tem limite. Se os investidores começarem a ver que a Rússia está tomando cada vez mais passos no sentido de uma invasão, os impactos podem ser muito piores”, acrescenta.


Para o Brasil, por exemplo, um conflito militar de fato dificultaria a manutenção do atual clima de bonança . Na contramão do mundo, a bolsa brasileira está em rota de valorização e o dólar registra o menor valor em meses, sustentado por um forte fluxo de investimento estrangeiro, que resolveu aproveitar as fortes desvalorizações do ano passado.


“A bolsa pode voltar a cair e o dólar a subir”, diz Serra. “Nossa bolsa é formada em grande parte por empresas de commodities, que se beneficiam em um cenário de alta dos preços, mas não segurariam o Ibovespa sozinhas se houver uma fuga massiva de capital.”


Mais inflação, mais juros e menos crescimento


Por trás da piora nas bolsas, está o vislumbre do estrago que uma guerra na região poderia fazer na economia global.


“As pressões sobre os [preços dos] combustíveis afetam o mundo inteiro. Piora ainda mais uma inflação que já está muito elevada”, diz o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. “Se tem mais inflação, será necessário subir mais os juros, e juros mais altos dificultam o crescimento lá na frente.”


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