
A guerra na Ucrânia entrou nesta segunda-feira (28) em seu quinto dia com a tomada de duas cidades por tropas russas, segundo o divulgado pela agência russa Interfax, e cuja fonte é o Ministério de Defesa da Rússia (as cidades são Berdyansk, na costa do Mar de Azov, e Enerhodar). Segundo o governo da Ucrânia, militares do país conseguiram conter o avanço de tropas russas na capital Kiev.
O dia também começo com sanções da União Europeia ao Banco Central russo. Segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, as restrições incluem uma proibição de transações com o instituto financeiro.
Para esta segunda-feira (28), a maior expectativa é para um encontro entre as comitivas da Ucrânia e da Rússia. O intuito da reunião é negociar a possibilidade de uma interrupção das agressões russas. É a primeira vez que representantes dos dois países se reúnem desde o começo da invasão, no dia 24 de fevereiro.
Antes de o encontro começar, o Vaticano disse, inclusive, estar pronto para "facilitar o diálogo" entre os dois países para acabar com a guerra. Já o líder espiritual tibetano Dalai Lama disse que estava "profundamente entristecido" pelo conflito e pediu "compreensão mútua".
De acordo com as autoridades ucranianas, o número total de civis mortos até agora é de 352, incluindo 14 crianças — e 422 mil já deixaram o país.
Neste domingo (27), Vladimir Putin, presidente da Rússia, disse que colocou equipes de armas nucleares em posição de alerta. Segundo a agência de notícias Reuters, ele tomou a decisão depois de ouvir declarações que considerou agressivas de representantes dos países que fazem parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Para o ministro do Reino Unido, entretanto, a fala do russo é distração. "O objetivo é disfarçar que suas tropas não estão progredindo na Ucrânia", disse o ministro de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, nesta segunda-feira (28).
"Ele fez esse comentário, nós vamos avaliar, mas, sabe, o que nós não podemos nos esquecer é que essa é uma grande tentativa de causar distração em relação aos problemas que ele tem na Ucrânia só por empregar esse tipo de frase na mídia”, disse Wallace.
Mas o chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, disse que o bloco não se envolverá após as declarações de Putin. "Não vamos continuar com essa escalada", disse Borrell à BBC.
A Ucrânia protocolou um processo contra a Rússia no Tribunal Penal Internacional, em Haia, disse no Twitter o presidente Volodymy Zelensky, neste domingo (27). "A Rússia deve responder por ter manipulado a noção de genocídio para justificar a agressão. Nós exigimos uma decisão urgente para pedir que a Rússia pare com as atividades militares agora e esperamos que o processo comece na semana que vem", escreveu ele.
Além disso, forças ucranianas começaram a enfrentar tropas russas nas ruas de Kharkiv, a segunda maior cidade do país, disse o governador Oleh Sinegubov. Imagens mostraram explosões em um gasoduto, resultado de um ataque aéreo.
“As luzes dos veículos dos inimigos russos já apareceram em Kharkiv, inclusive no centro da cidade. As forças armadas ucranianas estão destruindo o inimigo. Nós pedimos aos civis para que não saiam”, afirmou o governador
Na imprensa ucraniana, houve relatos de explosões na cidade de Vasylkiv (40 km ao sul de Kiev), onde um entreposto de petróleo teria sido destruído — a administração da capital recomendou aos moradores fecharem bem suas janelas e evitar intoxicação pela fumaça.
O grupo hacker-ativista Anonymous anunciou que está em andamento um "cyber ataque contra a Rússia". De acordo com o perfil da organização, a TV estatal russa foi hackeada e está transmitindo "a realidade do que está acontecendo na Ucrânia". O governo ucraniano conta com voluntários para travar uma guerra cibernética contra os russos.
Neste domingo, a fabricante de armas estatal ucraniana Ukroboronprom informou que o maior avião de carga do mundo, o Antonov-225 Mriya, fabricado na Ucrânia, foi queimado em um ataque russo ao aeroporto Hostomel, perto de Kiev (leia mais sobre a aeronave).
E a polícia deteve neste domingo mais de 2 mil pessoas em protestos contra a guerra realizados em 48 cidades da Rússia. Desde o início da invasão à Ucrânia, nesta quinta, mais de 5,5 mil pessoas foram presas em diversas manifestações, de acordo com o grupo OVD-Info, que há anos documenta a repressão à oposição russa.
Na tarde de domingo, o presidente Jair Bolsonaro postou em uma rede social que 39 pessoas, das quais 37 brasileiros e dois uruguaios, chegaram à embaixada do Brasil na Romênia. Eles haviam sido transportados de trem de Kiev. "Estão todos bem e em segurança", afirmou Bolsonaro.
O jogador de futebol brasileiro Felipe Pires, atleta do Dnipro, disse que teve de pagar para deixar a Ucrânia pela fronteira com a Romênia, porque o governo ucraniano não estava autorizando a saída de homens do país, independentemente da nacionalidade (veja mais no vídeo abaixo).
Resumo dos últimos acontecimentos:
O ataque é o maior de um país contra outro desde a Segunda Guerra Mundial, há 80 anos.
Na quinta, tropas russas atacaram a Ucrânia por três frentes (terra, ar e mar), rapidamente tomando Chernobyl, no norte do país. Na madrugada de sábado (26), no horário local, a ofensiva de Moscou alcançou Kiev. A capital ucraniana foi atingida por explosões que causaram danos em áreas residenciais da cidade.
Na sexta (25), o governo da Rússia afirmou estar pronto para enviar uma delegação a Minsk, capital belarussa, para conversas com a Ucrânia, acrescentando que a desmilitarização da Ucrânia seria uma parte essencial da negociação. Pouco antes, o governo da Ucrânia afirmou que está pronto para conversas com a Rússia, inclusive sobre o status neutro em relação à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança que tem papel importante na disputa entre os dois países (leia mais sobre isso abaixo).
Em resposta ao ataque russo à Ucrânia, Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido anunciaram sanções contra o presidente Vladimir Putin. A Rússia, por sua vez, usou seu poder de veto para barrar a resolução do Conselho de Segurança da ONU que serviria para condenar a invasão da Ucrânia.
"Se as conversações forem possíveis, elas devem ser realizadas. Se em Moscou eles dizem que querem manter conversações, inclusive sobre o status neutro, não temos medo disso", disse Mykhailo Podolyak, conselheiro presidencial ucraniano à agência de notícias Reuters.
"Nossa disponibilidade para o diálogo é parte de nossa persistente busca da paz", acrescentou Podolyak.
Apesar das declarações do porta-voz Peskov, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que os militares ucranianos deveriam tomar o poder, sugerindo a derrubada do presidente Volodymyr Zelensky. Em discurso na TV, Putin disse que será mais fácil para eles se os militares tomarem o poder. No mesmo vídeo, ele chama Zelensky e os membros de seu governo de "gangue de viciados em drogas e neonazistas".
A Ucrânia atualmente não faz parte da Otan nem da União Europeia, embora queira aderir a ambas, o que desagrada a Moscou.
A Rússia e a Ucrânia vivem uma antiga história de conflitos. Ao longo dos séculos, a Ucrânia, uma ex-república soviética, fez parte de impérios, sofreu inúmeras invasões, foi incorporada pelos russos e pelos soviéticos, se tornou independente, mas nunca resolveu por completo sua relação com a Rússia.
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