
Para entregar a prometida “blindagem” ao ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a participação do chefe da equipe econômica na comissão especial que analisa a reforma da Previdência, o PSL adotou uma estratégia baseada em táticas do futebol americano: ocupação dos espaços no plenário, bloqueio físico (com governistas na primeira fileira) e até marcação “homem a homem”. Para cada parlamentar da oposição, havia um governista escalado para marcá-lo. Assim, sempre que uma voz contrária à reforma confrontava Guedes, um deputado do PSL sabia que tinha de entrar em campo para abafar a confusão.
A tática foi pensada pelo deputado Alexandre Frota (PSL-SP), que é coordenador da legenda no colegiado. Ele escoltou o ministro quando ele saiu do plenário nos intervalos da audiência. Também ocupou uma das primeiras bancadas do plenário e ainda atuou como um dos “marcadores” do PSL. Nos bastidores, era chamado “coach Frota”.
A estratégia foi testada em um dos momentos de maior tensão. Pouco depois das 19h, Guedes reagiu ao ser emparedado por opositores que o questionavam a respeito de investigações sobre investimentos com recursos de fundos de pensão sob sua gestão. “Depois de seis horas (da tarde), a baixaria começa. É o padrão da Casa, ofensa, ataque.”
O ministro acabou desferindo ataques ao responder à deputada Perpétua Almeida (PcdoB-AC). “Vai ver quem está na cadeia, vai ver quem está na Justiça e aí vamos ver quem assaltou os fundos de pensão e quem devolveu três vezes o dinheiro que eles botaram sob minha administração. Não posso ser acusado do que vários companheiros da deputada podem estar sendo acusados no momento”, disse.
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