O núcleo da facção criminosa PCC (Primeiro Comando Capita) contava com uma rede de sete distribuidoras de combustíveis em Iguatemi, todas situadas no mesmo endereço, e uma era comandada pelo irmão do líder da organização criminosa.
Outro detalhe é que uma das companhias não pagava impostos, mas entrou com pedido de ressarcimento de R$ 618,2 milhões do PIS/Pasep junto à Receita Federal. Os detalhes constam da Operação Carbono Oculto, a maior ofensiva na história brasileira, deflagrada nesta quinta-feira (28) em Mato Grosso do Sul e outros sete estados brasileiros.
“Compulsando atentamente os autos, possível verificar que, de fato, há fortes indícios de que dá existência de complexa rede de empresas, incluindo usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras, formuladoras, terminais de armazenamento, portos, redes de postos de combustíveis, conveniências e padarias, para ocultar a origem e o destino dos recursos ilícitos”, destacou o magistrado no despacho.
“Foram identificados fortes laços do grupo de Mohamad Hussein Mourad com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), especialmente através das redes de postos e distribuidoras. Pessoas vinculadas a essas redes, como Ricardo Romano e Leandro Cavallari, possuem mídias negativas associando-os ao PCC”, destacou, sobre Mourad, também chamado de “Primo” ou “João”.
O irmão, Armando Hussein Ali Mourad, dele é presidente da Safra Distribuidora de Petróleo, cuja matriz fica na Rodovia da Balsinha, Km 18, na zona rural de Iguatemi. Todas as outras seis companhias ficam no mesmo endereço. As empresas possuem o capital social idêntico, R$ 4,5 milhões.
“Armando Hussein Ali Mourad também se mostra como pessoa chave na estrutura da organização criminosa investigada, atuando como um dos principais articuladores do grupo, especialmente em conjunto com seu irmão, Mohamad Hussein Mourad. Sua atuação é fundamental para a expansão do grupo e para a blindagem patrimonial e lavagem de capitais”, frisou o magistrado.
Constituída em 24 de janeiro de 2020, a Império ganha destaque por não pagar tributos estaduais e federais, mas entrar com um pedido milionário de ressarcimento junto ao Governo Federal. De acordo com a Receita, ela solicitou R$ 618,2 milhões de ressarcimento do PIS/Pasep.
“Isso indica que, além de não pagar os tributos devidos, a empresa ainda buscava ressarcimento usando supostos créditos inexistentes. Este modus operandi de fraude na apuração de créditos do regime de incidência não-cumulativa é uma prática comum entre os investigados”, apontou o juiz.
“Conexão com o Grupo Mohamad e o Ecossistema Criminoso: A IMPERIO é uma das distribuidoras que operam conectadas à RODOPETRO DISTRIBUIDORA DE PETROLEO LTDA, a qual é considerada a sucessora das atividades do extinto Grupo COPAPE/ASTER. Todas as distribuidoras destinatárias da RODOPETRO estão conectadas a sedes empresariais também vinculadas ao grupo Mohamad”, destacou.
A Maximus ganha destaque no relatório pela evolução espetacular na receita, que pode ser chamada até de milagre. De acordo com o relatório do Ministério Público de São Paulo, a receita da companhia saltou de R$ 3 milhões, registrado em 2021, para R$ 3 bilhões no ano passado. A empresa está em nome do advogado Marcelo Custódio Barcelos, de São José do Rio Preto.
“Essa movimentação financeira é considerada ‘absolutamente incompatível’ com o perfil do seu sócio-administrador. O perfil do sócio-administrador, Marcelo Custodio Barcelos, advogado em São José do Rio Preto/SP, não condiz com a movimentação bilionária da distribuidora, indicando que ele possa ser uma ‘interposta pessoa’ e a empresa uma ‘shell company’ utilizada por terceiros”, destacou o juiz Sandro Nogueira de Barros Leite.
“A matriz da MAXIMUS (CNPJ 42.877.368/0001-82) está localizada no mesmo endereço da SAFRA DISTRIBUIDORA DE PETROLEO S.A. em Iguatemi/MS, cujo presidente é Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad. Marcelo Custodio Barcelos, administrador da MAXIMUS, é filho de Sidnei Ribeiro Barcelos, administrador da EVEREST DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA, outra empresa ligada ao grupo Mohamad.
Milagre semelhante ocorreu com a Start Petróleo, localizada no mesmo endereço em Iguatemi. A distribuidora não teve movimento nenhum nos anos de 2018 a 2020. A quebra do sigilo mostrou compra de R$ 1,186 bilhão em combustíveis de apenas duas distribuidoras do grupo. Apenas no primeiro semestre de 2025, o MPE apontou movimentação de R$ 2,239 bilhões.
“A filial da START PETROLEO S/A (CNPJ 39.334.434/0003-25) é listada entre diversas distribuidoras que utilizam os mesmos IPs (187.0.201.102 e 187.0.201.98) para a emissão de notas fiscais eletrônicas, e vendem para postos que utilizam o mesmo número de telefone, indicando interrelações e uma potencial centralização diretiva ou associativa. É mencionada como uma das distribuidoras com conexões com o crime organizado, e seus vínculos precisam ser aprofundados investigativamente”, apontou o magistrado.
A Operação Carbono Oculto é apontada como a maior ofensiva contra o braço financeiro do PCC no País.
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