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Congresso discute uso responsável da IA na saúde ocupacional

Especialistas e lideranças do setor apresentaram propostas para integrar inovação tecnológica à saúde ocupacional com segurança, ética e regulação ...

02/12/2025 às 17h06
Por: Tribuna Popular Fonte: Agência Dino
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Congresso ANAMT 2025
Congresso ANAMT 2025

Durante o Congresso da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), realizado entre os dias 1 e 4 de outubro em Goiânia (GO), especialistas, médicos e representantes do setor empresarial se reuniram para debater um dos temas mais urgentes e complexos da atualidade: o papel da inteligência artificial (IA) na saúde e segurança do trabalho (SST). O painel, conduzido pela Associação de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional (AGSSO), com Antonio Martin, Presidente da Associação, e Dr. Paulo Zaia, médico do trabalho e pesquisador em saúde ocupacional, trouxe à tona os desafios, riscos e oportunidades da transformação digital no setor.

Fundada em 2014, a AGSSO é uma entidade que representa as empresas de saúde ocupacional no Brasil. Com atuação técnica e institucional, a associação promove boas práticas, capacitação profissional e participa ativamente da Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), assessorando a bancada empresarial na revisão das Normas Regulamentadoras (NRs).

Um retrato preocupante da SST no Brasil

O painel começou com um diagnóstico contundente: o Brasil ainda está nos estágios iniciais da digitalização em Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Entre os principais problemas citados no painel, estão:

  • Alta taxa de subnotificação de acidentes;
  • Exames ocupacionais realizados sem critérios técnicos;
  • Processos manuais e desconectados;
  • Baixo aproveitamento dos dados já coletados.

Um depoimento apresentado por uma participante durante o painel destacou dificuldades no atendimento em exames ocupacionais:

"Ontem fui a uma clínica no centro do Rio de Janeiro para realizar um exame ocupacional. Esperei cerca de três horas para ser atendida. Passei por uma profissional que registrou minha altura e peso e aferiu minha pressão com aparelho digital. Em seguida, fui encaminhada a outra sala, onde um atendente perguntou se havia alguma queixa ou doença relacionada ao trabalho. Respondi que não. Ele assinou e carimbou o ASO, informando que eu estava liberada, sem fornecer cópia do documento. Havia apenas um profissional atendendo, e eu era o número 106 da fila", relatou a participante.

IA como aliada — com responsabilidade

Apesar dos desafios, os painelistas reforçaram que o momento é propício para a adoção de tecnologias preditivas. Prontuários eletrônicos, sistemas de gestão e documentos digitais já são realidade em muitas empresas. Ferramentas de IA estão mais acessíveis e há uma pressão crescente por produtividade sem comprometer a segurança dos trabalhadores.

Antonio Martin destacou que "ainda estamos no começo da jornada de transformação digital em Saúde e Segurança do Trabalho. O Brasil ainda enfrenta desafios significativos".

Dr. Paulo Zaia complementou, afirmando que "a IA já pode ajudar em SST transformando dados em insights, prevendo riscos e treinando equipes; estes são apenas os primeiros passos de uma transformação que pode revolucionar o setor".

Riscos da implementação descuidada

Dr. Paulo Zaia e Antonio Martin também alertaram para os riscos da adoção indiscriminada da IA:

  • Viés algorítmico: algoritmos podem reproduzir preconceitos e gerar discriminação;
  • Vulnerabilidade de dados: vazamentos de informações médicas podem causar danos irreparáveis;
  • Vigilância excessiva: monitoramento constante pode gerar estresse e resistência dos trabalhadores.

Além disso, afirmaram que o Brasil ainda carece de padrões técnicos claros, ambientes de teste (sandboxes) e diretrizes integradas entre órgãos como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) e o Ministério do Trabalho.

Lições internacionais e propostas concretas

Além disso, houve a apresentação de exemplos internacionais de uso responsável da IA:

  • EUA: visão computacional para detecção de EPIs em tempo real;
  • Europa: IA em SST classificada como "alto risco" na regulação;
  • China: mineração inteligente com sensores ambientais;
  • Japão: uso de wearables para monitoramento de trabalhadores idosos.

Inspirada por casos de sucesso como o Pix, o sandbox da SUSEP e a regulação da telessaúde pela Agência Nacional de Saúde (ANS), a AGSSO propôs a criação de um Sandbox Regulatório para SST— um ambiente controlado para testar e validar tecnologias com segurança.

Proposta de Sandbox para SST

A proposta visa conciliar inovação com responsabilidade, garantindo que a tecnologia esteja a serviço da saúde e da dignidade dos trabalhadores, proporcionando também:

  • Ambiente controlado para testes supervisionados;
  • Monitoramento técnico por comitê com CFM, ANAMT e Ministério do Trabalho;
  • Avaliação contínua de eficácia, segurança e satisfação;
  • Certificação de sistemas de IA com critérios éticos e técnicos;
  • Educação continuada para médicos do trabalho.
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