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Chapa da morte pode custar a reeleição de dois deputados federais em MS

Os arranjos, que antes estavam sendo feitos a dedo, acabaram saindo do controle, acumulando diversos favoritos em um mesmo grupo

02/04/2026 às 10h44
Por: Tribuna Popular Fonte: Investiga MS
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A chapa da morte, como está sendo chamada a construção para disputa de vagas para Câmara Federal no União Progressista, pode custar o mandato de até dois deputados federais em Mato Grosso do Sul.

Para comparar com o futebol e aproveitar o ano de copa: é como se Brasil, França e Argentina caíssem em um mesmo grupo, onde apenas dois passam.

Dadas as devidas proporções, a chapa tende a provocar uma verdadeira guerra pelos votos, que dificilmente não resultará em tristeza para um dos quatro favoritos na disputa interna: Rose Modesto (União), Geraldo Resende (União), Dagoberto Nogueira (PP) e Luiz Ovando (PP).

Geraldo, Dagoberto e Luiz Ovando disputam a reeleição e Rose Modesto é aposta do grupo para ser campeã de voto, por conta dos resultados obtidos nas eleições que disputou e estudos feitos internamente pela própria coligação. 

Internamente, todo mundo sabe que apenas um milagre faria a chapa eleger quatro, o que garante a eliminação de pelo menos um deputado, se o favoritismo de Rose se confirmar. Para que apenas um “grande fique de fora”, o grupo precisa ser muito bem votado, colocando pelo menos dois na casa dos 100 mil votos. Hoje, a previsão mais real é de que o grupo faça dois e, a depender dos resultados dos demais, o terceiro.

Na eleição passada, o PSDB fez o maior número de deputados federais, conquistando três cadeiras. Para isso, conseguiu 316.966 votos. O quociente eleitoral (dividindo o número de votos válidos pelo total de oito cadeiras que estavam em disputa) foi de 175 mil votos. O partido fez uma cheia e conseguiu duas na sobra (quando distribui as vagas de quem atingiu o quociente e depois o número de votos que sobrou, dando a cadeira para quem tem mais votos). 

O PSDB teve dois entre os mais votados: Beto Pereira, com 97.872 votos, e Geraldo Resende, com 95.519 votos. Dagoberto foi o terceiro eleito da chapa, com 48.217 votos.  Professor Juari foi o quarto mais votado, com 20.634 mil votos, seguido por Dr. Cassiano, com 15.176 votos; e Bia Cavassa, 14.289 votos. A menos votada foi Pastora Dani, com 2.415 votos.

Os números obtidos pelo PSDB mostram o quanto a chapa foi bem votada, considerando que não é comum que todos os nove candidatos possíveis tenham votação expressiva, dada a concorrência para as oito vagas na Câmara. O partido fez uma média de 35.218 votos. Para se ter uma ideia do tamanho do feito, o número é próximo dos 41.773 votos do segundo mais votado no PL e o que teve menor votação entre os eleitos, Rodolfo Nogueira (PL).

Nesta conta para conquistar cadeiras, importa que uma chapa tenha vários candidatos bons de voto, porque o todo que definir o número de cadeiras do partido. Na expressão utilizada pelas lideranças políticas, é preciso ter cabeças, mas também uma boa calda. 

Naquela eleição, o PL ficou com duas cadeiras. Marcos Pollon foi o mais votado, com 218.427 mil votos, seguido por Rodolfo Nogueira, com 41.773 votos, e Luana Ruiz, com 24.176 votos. O PT também elegeu dois deputados, com 201.961 votos. Vander Loubet foi o mais votado do partido (quarto entre os eleitos), com 76.571 votos, seguido por Camila Jara, com 56.552 votos. O primeiro suplente foi Elias Ishy, com 24.085 votos. 

Desmanche

A chegada de Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende, que não estava programada, espantou pré-candidatos que já estavam fechados, justamente pela grande concorrência. Jaime Verruck, que já estava acertado com o PP,  e Roberto Hashioka (União) foram para o Republicanos, e Viviane Luiza para o PSDB. 

Restaram, na planilha inicial da federação, além dos quatro medalhões já citados (Ovando, Rose, Dagoberto e Geraldo), o ex-candidato a prefeito de Ponta Porã, Carlos Bernardo, que conquistou 31.669 votos para federal em 2022; e os ex-prefeitos de Dourados, Alan Guedes (PP), e de Jardim, Clediane Matzenbacher (PP). 

Dagoberto se filiou já estava certo no PSDB, mas saiu alegando desentendimento com lideranças nacionais do partido. Com a saída dele, Geraldo também não ficou e negociou a filiação diretamente com o diretório nacional do União Brasil. O PP de Mato Grosso do Sul foi contra, justamente porque a chapa já estava montada, mas o União Brasil fez valer o direito de indicação e bancou a filiação. Os dois entraram por uma porta e três já citados saíram por outra. 

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