
O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), parece não distinguir a linha tênue entre a vida privada turbulenta e a gestão pública. Em uma semana marcada por boletim de ocorrência e manchetes sobre o fim explosivo de um namoro, o gestor decidiu apostar em uma solução “caseira” para a administração municipal: deve nomear sua ex-esposa, Samara da Silva Donato, para a Secretaria de Habitação.
A decisão ocorre no olho do furacão. Ferro enfrenta a repercussão de um término conturbado com uma ex-namorada, com direito a acusações de quebra de um iPhone 17, pedido de medida protetiva e uma disputa patrimonial envolvendo um Jeep Compass. Para tentar colocar ordem na casa (ou na prefeitura), ele recorreu à ex-primeira-dama.
Se aceitar o desafio, Samara não assumirá uma pasta qualquer. Ela terá nas mãos a responsabilidade política e administrativa de entregar quase 300 casas populares, um dos maiores trunfos eleitorais e sociais do mandato, que movimentará cerca de R$ 30 milhões entre recursos federais e municipais.
Entre os projetos sob a nova tutela da ex-esposa estarão o Residencial Água Azul (134 casas e R$ 22 milhões em jogo) e o Jardim Aeroporto (Minha Casa, Minha Vida).
Ciente de que a nomeação vai gerar falatório na cidade, Juliano Ferro se adiantou para garantir que “sabe separar as coisas”. Segundo o prefeito, não há chance de reconciliação amorosa e “um retorno pessoal é inviável”.
Para justificar o cargo, Ferro sacou o currículo de Samara: ex-assessora parlamentar do deputado Zé Teixeira e experiência em projetos sociais. O prefeito afirma que a ex-mulher é a pessoa certa para fazer a articulação política das entregas, independentemente do passado conjugal ou das confusões do presente.
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