Segunda, 09 de Fevereiro de 2026
20°C 37°C
Jardim, MS
Publicidade

MPE ignora teto de salários e paga “prêmio da mega” por ano a procuradores de MS

Apenas um procurador de Justiça ganhou R$ 2,6 milhões no ano passado entre salários, gratificações e penduricalhos, segundo o Portal da Transparência do MPE

09/02/2026 às 08h35
Por: Tribuna Popular Fonte: O Jacaré
Compartilhe:
Conselho Superior do Ministério Público de Mato Grosso do Sul para o biênio 2025/2026. (Foto: MPMS)
Conselho Superior do Ministério Público de Mato Grosso do Sul para o biênio 2025/2026. (Foto: MPMS)

Enquanto milhares de trabalhadores ‘fazem uma fezinha’ no sonho e esperança de sair do perrengue financeiro, membros do Ministério Público de Mato Grosso do Sul “ganham” na mega-sena todo ano. 

Os supersalários pagos a promotores e procuradores do Estado ultrapassam e muito o teto do STF (Supremo Tribunal Federal), somando facilmente mais de R$ 1 milhão por ano e quando adicionados os penduricalhos, passam de R$ 2 milhões. O MPE também descumpre leis federais ao omitir os nomes dos agraciados com tantos benefícios financeiros, em seu Portal da Transparência.

Um dos casos analisados pelo O Jacaré é do responsável pela 6ª Procuradoria de Justiça Criminal, que segundo o site do MPMS é o procurador de Justiça, Antônio Siufi Neto. Em 2025 recebeu R$ 1,676 milhão só em salários, somados os penduricalhos de auxílio transporte, alimentação e outros, o procurador recebeu R$ 2,6 milhões em um ano.

Considerando que o Bolsa Família paga média de R$ 600 para cada família por mês, o que um único procurador recebeu no ano, sustentaria mais de 300 famílias que vivem em vulnerabilidade social por um ano.

Agora se considerar a renda média do sul-mato-grossense que é de R$ 3,4 mil por mês, um trabalhador “comum” levaria 65 anos de esforço diário para acumular o valor pago em único ano ao procurador de Mato Grosso do Sul, ou seja, uma vida inteira de trabalho. O salários do Ministério Público deveria ser de R$ 46,3 mil, mas a realidade é que o órgão usa dos chamados ‘penduricalhos’ para inflar os pagamentos a mais que o dobro do teto.

Conforme dados do Portal da Transparência do MPMS, a tabela de salários mensais dos membros é composta por oito rendimentos e 14 benefícios, sendo:

  • remuneração básica,
  • outras Verbas Remuneratórias, Legais ou Judiciais,
  • Remuneração Eventual ou Temporária – Função de Confiança ou Cargo em Comissão
  • Remuneração Eventual ou Temporária – Gratificação Natalina
  • Remuneração Eventual ou Temporária – Férias
  • Remuneração Eventual ou Temporária – Abono de Permanência
  • Outras Remunerações Temporárias/Retroativas
  • Verbas Indenizatórias
  • auxílio-alimentação
  • assistência médico-social
  • auxílio-moradia
  • auxílio-transporte
  • auxílio pré-escolar
  • ajuda de custo
  • licença -prêmio
  • indenização de substituição
  • abono pecuniário de férias
  • férias indenizadas
  • compensação de plantão
  • licença compensatória
  • cumulações

Vamos pegar o caso do procurador Antônio Siufi Neto. O salário base dele é R$ 41.845,48, que somados por 12 meses, deveria ser de R$ 502 mil, com gratificação natalina chegaria a R$ 543,9 mil. Mas a realidade é que o membro do MPMS recebeu em 2025, quatro vezes mais do que deveria, graças ao pagamento dos penduricalhos. Por três meses no ano, ele teve o maior salário entre os 233 membros.

Acompanhe o salário dele mês a mês:

  • Janeiro R$ 126.099,93 + R$ 65.133,71
  • Fevereiro R$ 109.331,18 + R$ 54.644,97
  • Março R$ 160.802,22 + R$ 96.916,00
  • Abril R$ 118.749,97 + R$ 54.857,75
  • Maio R$ 114.160,43 + R$ 59.474,22
  • Junho R$ 125.083,19 + R$ 70.710,16
  • Julho R$ 119.046,91 + R$ 73.785,73
  • Agosto R$ 151.614,39 + R$ 91.170,60
  • Setembro R$ 173.972,86 + R$ 113.529,09
  • Outubro R$ 144.244,67 + R$ 95.907,92
  • Novembro R$ 123.321,93 + R$ 74.985,18
  • Dezembro R$ 209.833,95 + R$ 96.318,23

Para a Transparência Brasil, a manutenção desse modelo de remuneração vai na direção oposta ao interesse público. “Esse dinheiro deveria estar sendo investido para tornar a justiça mais célere, acessível e efetiva”, afirma o coordenador de projetos, Cristiano Pavini. Segundo ele, os recursos consumidos pelos supersalários poderiam financiar a contratação de novos servidores e membros, a modernização de sistemas, além de capacitação e melhorias estruturais.

“O que se vê, no entanto, é o direcionamento do orçamento para o enriquecimento dos próprios membros das instituições”, conclui ele, ao destacar que o pagamento de verbas indenizatórias e retroativas não é exceção entre Ministérios Públicos e o Judiciário.

“Exceção é quem não recebe acima do teto. A Constituição prevê que indenizações não sejam computadas, mas Judiciário e Ministério Público banalizaram esse instrumento, criando uma série de penduricalhos justamente para driblar o limite e inflar remunerações”, explica o representante do Transparência Brasil.

Mais de um milhão por ano

O responsável pela 6ª Procuradoria de Justiça Criminal, procurador Antônio Siufi Neto, não é isolado. Ao analisar os dados presentes na Transparência do MPMS, é fácil chegar a valores acima de R$ 1 milhão ao ano de salário bruto.

Se atentando aos ganhos mensais é possível ver que facilmente o salários dos procuradores e promotores ultrapassa os R$ 100 mil. O Jacaré cruzou os cargos com os nomes que os ocupam para entregar a transparência que o Ministério Público omite e separou mais cinco nomes para provar que os ganhos milionários são generalizados.

Salários de janeiro a dezembro de 2025
Penduricalhos de janeiro a dezembro de 2025

12ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, Rodrigo Yshida Brandão – R$ 1.311.066,36 de salário bruto em 2025, mais R$ 714,4 mil de penduricalhos, somando R$ 2.025.479,25 de ganhos totais no ano passado.

1ª Promotoria de Justiça de Caarapó, Fernanda Rottili Dias – R$ 1.075.272,25 de salário bruto, mais R$ 476.382,78 de penduricalhos, que somam R$ 1.551.658,03 em 2025.

63ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, Ricardo Benito Crepaldi – R$ 1.305.860,89 de salário bruto, mais R$ 716.292,29 de penduricalhos, que somam R$ 2.022.153,18 recebidos em 2025.

69ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, Marcos Alex Vera de Oliveira – R$ 1.340.566,32 de salário bruto, somado a R$ 774.278,72 de penduricalhos que chegam a R$ 2.114.845,04 em 2025.

1ª Promotoria de Justiça de Ponta Porã, Gabriel da Costa Rodrigues Alves – R$ 1.087.667,50 de salário bruto, somado a R$ 586.130,89 de penduricalhos, somando R$ 1.673.789,39 em 2025.

Supersalários em dezembro

Reportagem do O Jacaré, mostrou que em dezembro de 2025, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul pagou supersalários de R$ 302 mil a R$ 351 mil a 17 promotores e procuradores de Justiça. Em dezembro de 2025, foram pagos R$ 37,8 milhões em salários aos seus 234 membros, compostos por promotores e procuradores, fora outros R$ 17 milhões nos chamados ‘penduricalhos’, compostos por auxílios (alimentação, transporte, moradia, licenças e outros).

Em dezembro, o procurador de Justiça da 21ª Procuradoria de Justiça, teve rendimento bruto de R$ 351,7 mil, sendo R$ 232,2 mil em remuneração e R$ 119,5 mil em ‘penduricalhos’. Os dados da transparência mostram que o salário mensal do procurador é de R$ 41,8 mil. Mas, em dezembro, ele recebeu também R$ 57,8 mil em gratificação natalina, R$ 12,9 mil de abono permanência, R$ 104, 8 mil de outras remunerações retroativas e R$ 14,6 mil verbas indenizatórias, somando salário bruto de R$ 232,2 mil total bruto.

MPMS descumpre lei e não divulga nomes no Portal da Transparência

Apesar de ser um órgão defensor do interesse público, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul descumpre leis federais ao ocultar o nomes dos servidores e seus respectivos salários no Portal da Transparência. O órgão divulga apenas os valores pagos para caga cargo ocupado.

No Brasil, órgãos públicos de qualquer instância, são obrigados a divulgar o nome, cargo e salário de seus servidores de maneira transparente. O que determina a obrigação, são as leis da Transparência, de 2009, e de Acesso à Informação, de 2011.

Além disso, o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que é constitucional divulgar, em portal público, o nome de servidores e suas remunerações existe desde 2015. Nessa decisão, o STF concluiu de forma unânime que essa divulgação é legítima e não fere os direitos à intimidade ou à privacidade, pois se trata de informação de interesse coletivo e de controle da administração pública.

Dessa forma, o MPÉ descumpre duas leis federais e o entendimento do STF, ao omitir o nome dos membro e servidores na relação de salários publicada.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Jardim, MS
35°
Parcialmente nublado

Mín. 20° Máx. 37°

36° Sensação
0.09km/h Vento
34% Umidade
39% (0.2mm) Chance de chuva
06h31 Nascer do sol
19h26 Pôr do sol
Ter 37° 20°
Qua 36° 22°
Qui 32° 21°
Sex 34° 22°
Sáb 35° 21°
Atualizado às 17h08
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,19 -0,45%
Euro
R$ 6,19 +0,31%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 388,077,57 +0,29%
Ibovespa
186,241,16 pts 1.8%
Publicidade
Publicidade
Publicidade