Segunda, 13 de Abril de 2026
21°C 36°C
Jardim, MS
Publicidade

Insegurança alimentar atinge mais de 60% das famílias em favelas

Pesquisa evidencia convivência de fome com excesso de peso

13/04/2026 às 16h08
Por: Tribuna Popular Fonte: Agência Brasil
Compartilhe:
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Estudo do Instituto Desiderata revela que 60,7% das famílias que vivem em favelas brasileiras enfrentam algum grau de insegurança alimentar .

Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia uma contradição crescente: a presença simultânea da fome e do excesso de peso entre crianças, fenômeno conhecido como dupla carga da má nutrição.

A pesquisa Ambientes alimentares em favelas: percepção sobre o acesso aos alimentos de moradores de favelas brasileiras ouviu 900 domicílios em três territórios: Complexo da Maré e Caramujo, no Rio de Janeiro, e Coque, em Pernambuco. Entre as crianças de 5 a 10 anos, 34,7% apresentam excesso de peso sendo mais de 21% com sobrepeso e 12,95% com obesidade.


>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Entraves

Os dados indicam que a alimentação nesses territórios é fortemente condicionada por fatores estruturais. O preço dos alimentos aparece como a principal barreira: cerca de 43% dos entrevistados afirmam que itens in natura, mesmo disponíveis, não são economicamente acessíveis.

Em contrapartida, alimentos ultraprocessados são mais presentes e consumidos com frequência.

Outro entrave relevante é o acesso físico. Segundo o levantamento, 33% dos moradores levam mais de 30 minutos para chegar ao principal local de compra de alimentos, sendo que 58% fazem esse trajeto a pé.

A dependência de comércios locais e supermercados reforça a configuração de territórios classificados por especialistas como “pântanos alimentares”, com abundância de produtos não saudáveis e “desertos alimentares”, com escassez de opções nutritivas.

A gerente da área de obesidade do instituto, Andrea Rangel, destaca que o território tem papel determinante nas escolhas alimentares e que ambientes saudáveis geram escolhas saudáveis.

“O direito à alimentação passa, necessariamente, pela real possibilidade de escolher. É fundamental que a promoção de alimentos frescos e nutritivos nas comunidades seja o centro de políticas públicas consistentes. Só alcançaremos a equidade na saúde alimentar quando o CEP de uma pessoa não for um impeditivo para isso”, afirmou.

A pesquisa também aponta desigualdades no acesso à alimentação escolar. No bairro do Coque, em Pernambuco, 91,67% das crianças estão matriculadas em creches ou escolas públicas, mas apenas 16,33% almoçam na escola.

“Esse foi um dado que nos chamou muita atenção e levantou um sinal de alerta para entender o porquê dessa recusa tão grande em relação à alimentação escolar”, explicou Andrea Rangel. “A gente passou a investigar a qualidade das refeições e possíveis queixas junto ao Conselho de Alimentação Escolar.”

Já no Caramujo, também no estado do Rio, o estudo identificou dificuldades no abastecimento alimentar. “Cerca de 60% dos respondentes levam mais de 30 minutos para chegar aos locais de compra. Esse dado alerta para a fragilidade do acesso físico aos alimentos e reforça a necessidade de ações que garantam disponibilidade e qualidade alimentar nesses territórios”, disse Rangel.

O perfil das famílias entrevistadas reforça a vulnerabilidade social: 89% dos responsáveis pela alimentação são mulheres, majoritariamente negras, e os domicílios têm, em média, quatro pessoas.

Apesar das dificuldades, a escola aparece como um espaço estratégico de proteção alimentar. Entre as crianças pesquisadas, 89,81% estão matriculadas, e mais da metade (53%) faz refeições no ambiente escolar.

A aceitação da merenda também é significativa, com 64,47% relatando boa adesão. No entanto, fatores como operações policiais e interrupções no funcionamento das escolas afetam diretamente o acesso à alimentação, comprometendo uma rede essencial de proteção social.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Jardim, MS
30°
Tempo nublado

Mín. 21° Máx. 36°

31° Sensação
2.57km/h Vento
48% Umidade
75% (0.99mm) Chance de chuva
06h55 Nascer do sol
18h34 Pôr do sol
Ter 36° 21°
Qua 27° 22°
Qui 31° 21°
Sex 31° 21°
Sáb 33° 23°
Atualizado às 17h08
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,00 -0,07%
Euro
R$ 5,87 +0,15%
Peso Argentino
R$ 0,00 +2,78%
Bitcoin
R$ 387,962,30 +0,11%
Ibovespa
198,000,70 pts 0.34%
Publicidade
Publicidade
Publicidade