
O Civitox (Centro Integrado de Vigilância Toxicológico) da SES (Secretaria de Estado de Saúde), divulgou na sexta-feira (5) uma nota técnica de alerta de perigo sobre a semente “Noz da Índia” para preparo de um chá emagrecedor. A semente, que é vendida livremente no mercado informal de Campo Grande, prometendo a perda de peso rápido, vem provocando polemica e está sendo apontada como causa de problemas a saúde das mulheres, e, até levando a morte. O óbito foi no caso de Ana Claudia Salles, 38 anos, que ocorreu na última segunda-feira (1º) em decorrência de uma cirrose hepática, após tomar chá.
O Civitox descreve o produto em sua linguagem cientifica e popular, apontando sua dose tóxica e seus sintomas de ataque a saúde principalmente no quadro neurológico. Por fim, o Centro alerta e recomenda em letras “maiúsculas”, ser CONTRA-INDICADO o seu USO.
Conforme, os dados do documento, as sementes dessa planta quando ingeridas, são altamente tóxicas por possuírem grandes concentrações de glicosídeos cardiotônicos, estando proibido o seu uso em diversos países, como México, Austrália e Argentina.
O alerta descreve em um resumo principal e de sintomas imediatos o que pode provocar para quem consome. “Os sintomas ocorrem após 20-40 minutos de ingerido, com náuseas, vômitos, cólicas abdominais violentas, tenesmo e diarréia, evoluído para sede intensa, secura nas mucosas, letargia e desorientação”. Tudo isso pode levar a cirrose hepática, que leva a morte ou no mínimo a necessidade de transplante do rim.
Veja abaixo, a integra da nota
Assunto: Intoxicação pelo uso da “Noz da Índia”
Também chamada de Nogueira de Iguape, Nogueira, Nogueira da Índia, Castanha Purgativa, Nogueira-de-Bancul, Cróton das Moluscas, Nogueira Americana, Nogueira Brasileira, Nogueira da Praia, Nogueira do Litoral, Noz Candeia, Noz das Moluscas, Pinhão das Moluscas.
O seu nome científico Aleurites moluccana L. (Willd.), da família Euphorbiaceae, é uma árvore exótica, natural da Indonésia, Malásia e Índia e largamente cultivada no Sul do Brasil, Argentina e Paraguai. O seu uso vem sendo divulgado na Internet para emagrecimento, por suas propriedades laxativas, porém, existem diversas referências que citam sua toxicidade, principalmente das sementes não processadas, as quais contém saponinas (toxalbumina) e forbol.
A dose tóxica é geralmente superior a três nozes, mas a sintomatologia tóxica já pode ser observada após a ingestão de apenas uma semente, porém isso vai depender de paciente para paciente, levando em consideração idade, peso e comorbidades.
Os sintomas ocorrem após 20-40 minutos após a ingesta. São eles: náuseas, vômitos, cólicas abdominais violentas, tenesmo e diarréia, evoluído para sede intensa, secura nas mucosas, letargia e desorientação.
Sintomas graves
Nos casos mais graves: desidratação acentuada, dilatação das pupilas (midríase), taquicardia, taquipnéia, respiração irregular, cianose e aumento da temperatura corporal (hipertermia). A diarréia intensa pode levar a disturbios hidroeletrolíticos graves, comprometimentos dos rins e alteração na condução cardíaca por perda de ions com o sódio e o potássio, essenciais na homeostase (equilibrio) do organismo.
Quadros neurológicos compreendendo câimbras nos músculos dos membros, parestesias, sensação de formigamento, cefaléia e hiporreflexia, também são descritos. Lesões renais são observadas, geralmente como conseqüência dos graves distúrbios hidroeletrolíticos.
Lesões irritativas em lábios e boca podem ocorrer devido às simples mastigação do caroço da semente. Não existe no Brasil nenhum produto registrado contendo a espécie Aleurites moluccanus.
Assim, os produtos que estão sendo divulgados em sites na internet encontram-se irregulares e não devem ser utilizados.
Em um estudo realizado na Argentina, após a avaliação botânica de todas as espécies que eram divulgadas na internet como “ Noz da Índia” (Aleurites moluccana), descobriu- se que eram na verdade Thevetia peruviana (Nome popular: Chapéu de Napoleão).
As sementes dessa planta quando ingeridas, são altamente tóxicas por possuírem grandes concentrações de glicosídeos cardiotônicos, estando proibido o seu uso em diversos países, como México, Austrália e Argentina.
O fato de o paciente perder peso não significa que está emagrecendo. Pelo contrário, está perdendo conteúdo importante para o organismo vivo, como água e eletrólitos. Os produtos “naturais” para emagrecer podem trazer diversos riscos à saúde e intoxicações graves, sendo CONTRA-INDICADO o seu USO.
O tratamento dos casos de intoxicação por essas plantas deve ser realizado em um ambiente hospitalar e notificado ao CIVITOX pelos telefones: 0800 722 6001/ 3386-8655/ 150.
(Fonte: O Estado Online)
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