
O alerta de probabilidade de cheia no Pantanal divulgado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Pantanal, no fim de janeiro, ainda não foi conclusivo, depende da confirmação das previsões do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) para a região, mas a cheia iniciada no planalto já começa a atingir a planície pantaneira.
Um dos sinais é o maior tráfego de animais silvestres que buscam áreas secas nos aterros da rodovia BR-262. A tendência, com base nas chuvas de janeiro, é que os níveis dos rios fiquem acima da
cota de permanência, segundo a Embrapa. O rio Paraguai está, por enquanto, com 2,85 metros pela medição da régua de Ladário. bem abaixo ainda da cota de transbordo, de 4,6 metros.
Outro monitoramento constante é feito pela Ecoa (Ecologia e Ação), ONG (Organização Não-Governamental), que atua na preservação do meio ambiente, para identificar e alertar sobre “cheias extraordinárias”, como a que ocorreu em 2014. Segundo integrantes da Ecoa, já existe uma movimentação dos ribeirinhos na Barra do São Lourenço, norte pantaneiro, divisa com Mato Grosso, onde 22 famílias se preparam para a cheia.
“Se continuar do jeito que está, será igual à enchente de 2014, já estamos suspendendo as coisas e vendo como tudo fica”, afirmou a ribeirinha Leonida de Souza, moradora há mais de 40 anos na região.
Segundo Leonida, na cheia de dois anos atrás, a água chegou a até 70 centímetros das casas de palafita da comunidade, onde as famílias contaram com o auxílio de transporte para serem removidas para áreas secas.
Neste ano, rio Aquidauana ultrapassou margens e tirou comunidade de casa
Nas primeiras duas semanas de janeiro, ocorreram chuvas intensas e persistentes nas bacias dos rios Taquari, Negro, Taboco, Aquidauana e Miranda. O rio Aquidauana superou a marca dos 9 metros, desabrigando ribeirinhos e isolando comunidades. O recorde de nível para o rio Aquidauana foi de 10,07 metros em 2011, de acordo com a Embrapa Pantanal.
Esses registros, segundo a Embrapa, foram feitos a partir de estações fluviométricas na borda do planalto para o Pantanal, ou seja, na saída das águas do planalto e entrada para o Pantanal.
Então, a onda de cheia ou inundação está se deslocando das porções mais altas para as porções mais baixas da planície alagada.
“Alertamos às comunidades de ribeirinhos e aos pecuaristas da planície pantaneira sob a influência desses rios, que tomem as devidas providências para proteger a si mesmos, suas famílias, bens materiais e rebanho”, diz a nota da Embrapa Pantanal. “Atentem não apenas para o risco de inundação na sua propriedade, mas também para o risco de isolamento em áreas no caminho para entrada e saída em caso de busca de refúgio para o gado”, continua.
Nas áreas do Pantanal próximas à margem esquerda do rio Paraguai, no baixo curso dos rios Miranda e Abobral, e no trecho da Estrada Parque entre o rio Paraguai, Curva do Leque e Buraco das Piranhas, a Embrapa pede atenção para o risco de alagamentos e problemas com as pontes sobre as vazantes.
(O Estado Online)
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