Do total de delegacias visitadas recentemente pelo Sinpol-MS (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul), cerca de 80% estão sucateadas, ou seja, em péssimo estado por falta de cuidados. A informação é do presidente do sindicato, Giancarlo Miranda. “A situação é bem parecida em todos os locais, que apresentam problemas estruturais e necessitam urgente de melhorias”, afirma. Por conta das péssimas condições estruturais, o Ministério Público Estadual iniciou investigação sobre o ambiente de trabalho disponibilizado aos agentes de segurança pública.
De acordo com Miranda, o mato está “tomando conta” da 6ª DP (Delegacia de Polícia) em Campo Grande, assim como a quantidade de veículos apreendidos que se acumulam nos pátios. A situação é a mesma na Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos), cita o presidente do Sinpol-MS. “Os veículos no pátio atrapalham o serviço dos policiais e tornam o local insalubre”, diz, acrescentando que no município de Jaraguari – distante 51 Km da Capital – a história não é diferente e falta limpeza na delegacia.
Em Jardim o estado é crítico devido à falta de água no prédio. Há meses a caixa d’água está interditada devido à ferrugem e há possibilidade de cair. “A situação é insalubre, não há água para beber ou para uso nos sanitários. Como é possível trabalhar se um direito fundamental garantido até pela ONU não é atendido?”, questiona Miranda. “Isso afeta a dignidade do policial civil também como cidadão”, frisa.
Na cidade de Guia Lopes da Laguna – distante 260 Km da Capital -, o muro da delegacia caiu após as recentes chuvas que atingiram a região. No local, os policiais tiveram que improvisar um tapume para impossibilitar a passagem de pessoas. “Isso afeta a segurança dos policiais civis e dos cidadãos que residem na região”, comenta o presidente do Sinpol-MS.
Em Bonito – distante 285 da Capital -, as celas inadequadas preocupam, e em Aquidauana – distante 285 da Capital -, os problemas estão relacionados à água e esgoto. “Estamos solicitando melhorias para o governo do Estado, até porque a falta de limpeza contribui com a proliferação do Aedes Aegypti. Mas as delegacias estão precisando, principalmente, de melhorias nas estruturas”.
Segundo Miranda, se não há convenio com as prefeituras, não há limpeza nos locais. “Os próprios policiais têm que fazer faxina, e a função deles não é de faxineiro, mecânico ou pedreiro. A função deles é investigar crimes e proteger a sociedade”, pontua, lembrando que o sindicato tem notificado as condições inadequadas de trabalho, mas falta investimento por parte do governo.
Devido às condições da delegacia de Inocência – distante 435 Km da Capital – um Inquérito Civil foi instaurado para apurar problemas relacionados à estrutura da Polícia Civil da cidade, do ponto de vista material, pessoal e funcional, para que possa desempenhar corretamente sua atividade fim.
Conforme o presidente do Sinpol-MS, o sindicato visita pelo menos uma delegacia por semana no Estado para conferir as demandas da categoria, incluindo as de Campo Grande.
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Em Jardim, caixa d’água está quase caindo. (Foto: Divulgação)[/caption]