
A implantação do sistema que vai gravar as informações trocadas entre o instrutor e o aluno durante as aulas prá- ticas para a obtenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) vai aumentar o grau de exigência na avaliação do candidato a motorista.
De acordo com o presidente do SindCFC (Sindicato dos Centros de Formação de Condutores), Wagner Roberto do Prado, o “desempenho” do aluno durante as aulas também fica registrado nas informações que serão enviadas ao Centro de Monitoramento do Detran- -MS (Departamento Estadual de Trânsito).
Conforme reportagem publicada na edição de sábado (21) de O Estado, informações como o áudio da conversa entre o instrutor e o aluno, trajeto percorrido, registrado por meio do GPS, e imagens feitas de dentro do veículo serão gravados e enviados ao órgão. Além disso, o instrutor vai anotar em um tablet as ações executadas pelo aluno. “Todo o histórico do desempenho do aluno vai ser registrado, por exemplo, se afogar o carro, esquecer de dar o alerta na hora de virar. Além de tudo o que for feito corretamente”, detalha Prado. Este histórico ficará disponível permitindo que todos os instrutores saibam o conteúdo que já foi aplicado para o candidato à habilitação.
Os registros serão implementados para cumprir as determinações da portaria 238, do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), que regulamenta a criação do “sistema eletrônico de anotação, transmissão e recepção dos relatórios de avaliação elaborados pelos instrutores, relativos às aulas de prática de direção veicular ministradas aos pretendentes à obtenção do documento de habilitação”.
Relatório contará com identificação e quilometragem do veículo usado
A portaria determina que o sistema se aplica aos procedimentos de obtenção da permissão para dirigir na categoria “B” ou para a mudança de categoria. Uma empresa será contratada para a elaboração de todas essas ferramentas. De acordo com a publicação, no modelo de relatório eletrônico tem de constar a identificação do aluno, do instrutor de trânsito e do Centro de Formação de Condutores; os dados do veículo de aprendizagem, incluindo quilometragem inicial e final da aula e horário de início e término; a identificação detalhada do percurso realizado pelo aluno em cada aula, incluindo os horários; o detalhamento do comportamento do aluno; o conhecimento do aluno sobre as normas de circulação, conduta e das infrações estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro e Resoluções do Contran (Conselho Nacional de Trânsito).
Além disso, serão anotadas infrações de trânsito e faltas cometidas durante o processo de aprendizagem. Todas as informações terão de ser armazenadas por cinco anos.
‘Maio Amarelo’ intensifica ações educativas até o fim deste mês
A campanha “Maio Amarelo” segue com a agenda de ações educativas e de prevenção de acidentes no trânsito até o dia 31 de maio.
De acordo com o Detran- -MS (Departamento Estadual de Trânsito), as escolas municipais recebem palestras, além de blitze educativas organizadas pelo GGIT (Gabinete de Gestão Integrada de Trânsito). “Estas são ações que vêm da sociedade e contam com o apoio de outras entidades”, explica a coordenadora de Educação do Detran-MS, Marlene Alves Nogueira Rondon.
Marlene garante que o trabalho mais importante é feito dentro das escolas, durante o Maio Amarelo. As unidades da Reme (Rede Municipal de Ensino) estiveram dentro da programação, recebendo palestras alusivas à prevenção de acidentes e boas práticas no trânsito. “As crianças são as nossas maiores multiplicadoras de conhecimento, quando se está com uma criança no carro, por exemplo, é ela a primeira a cobrar o uso do cinto, o respeito ao sinal vermelho”, afirma a coordenadora do Detran-MS.
Foco do Detran-MS ainda é a educação, avalia coordenadora
A coordenadora conta que desde o ano passado, o foco do órgão é a educação, e os números das estatísticas de acidente comprovam a importância deste trabalho. A quantidade de acidentes com vítimas menores de 18 anos é pequena, mas demonstram a gravidade da situação do trânsito na Capital. De acordo com o Detran-MS, foi registrado um acidente em 2014 no qual o condutor tinha até 11 anos de idade. No ano passado, foram dois acidentes.
Considerando a faixa etária de 12 a 17 anos, em 2014, foram cinco ocorrências desse tipo e mais duas em 2015. A permissão para dirigir no Brasil só é dada a partir dos 18 anos. No ano retrasado, 129 condutores sem CNH (Carteira Nacional de Habilitação) se envolveram em acidentes com vítimas, no ano passado foram 126. Todas as ocorrências citadas até agora foram registradas apenas no mês de maio de cada ano.
Escolas da Capital receberão palestras do GGIT por dois dias
Nos primeiros cinco meses de 2014, nove crianças de até 11 anos dirigiram e se envolveram em acidentes com vítimas. No mesmo período de 2015, foram sete crianças. Entre os adolescentes, as ocorrências somam 32 no ano retrasado e 21 no ano passado. Os dados de 2016 não estão disponíveis para consulta.
Durante a semana, a escola municipal Múcio Teixeira Júnior e a escola Eduardo Olímpio recebem as palestras do GGIT (Gabinete de Gestão Integrada de Trânsito). As atividades ocorrem das 8h às 14h, hoje (23) e amanhã, respectivamente. Mas as ações não se restringem à rede pública. O colégio Mace também abre suas salas de aula amanhã para falar de educação para o trânsito. No dia 31 de maio, o calçadão da Barão do Rio Branco recebe a ação de conscientização batizada de “Esta vaga não é sua nem por 1 minuto”, para alertar sobre o mau uso das vagas de estacionamento para pessoas com deficiência e idoso.
*O Estado Online
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