
O clima de guerra vivido ontem à noite na faixa de fronteira entre Brasil e Paraguai e que terminou com a morte do narcotraficante Jorge Rafaat é o assunto dos moradores de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, nesta quinta-feira. As escolas do lado brasileiro, apesar de terem aulas normais, registram queda de alunos e professores, muitos moram no lado paraguaio e evitaram sair de casa.
A secretária de Educação de Ponta Porã, Márcia Cristina da Silva Souza, disse que a orientação dada a diretores das escolas é que nenhuma avaliação seja aplicada hoje por conta da falta de muitos alunos. O levantamento de quantos deixaram de ir às aulas ainda está sendo feito.
Márcia conta, ainda, que também há baixa de professores porque muitos vivem em Pedro Juan e tiveram medo de sair de casa.
“Várias escolas ficam perto da linha de fronteira e muitos pais não quiseram deixar os filhos irem às aulas e nós entendemos e pedimos a compreensão dos diretores”, conta Márcia. A mesma atitude foi tomada por parte da direção de escolas estaduais que ficam em Ponta Porã.
Clima
A secretária afirma que depois da noite de tiroteio e morte, hoje a quinta-feira é de ritmo quase que normal na fronteira. Muitas pessoas se reúnem para conversar sobre o assunto, mas aparentemente a rotina segue como a de outro dia qualquer.
“Passei por todas avenidas da fronteira e está tudo normal, as lojas estão abrindo dos dois lados. Apesar disso, é claro que estão todos apreensivos esperando que não ocorra mais nenhuma tragédia”.
Morte
O alvo principal do ataque foi Jorge Rafaat Toumani, apontado como um dos principais chefes do narcotráfico na fronteira. O assassinato dele ocorreu em Pedro Juan Caballero. O criminoso foi cercado por pistoleiros em seu carro blindado e mesmo fortemente armado e cercado por guardiões, não se livrou da morte nem mesmo com todo o aparato de segurança.
De acordo com informações do site paraguaio ABC Color, o ataque é atribuído ao ''barão da droga'' Chimenes Jarvis Pavão, em parceria com a organização criminosa do Brasil Primeiro Comando da Capital (PCC).
Tiroteio começou durante a noite de ontem e se estendeu até a madrugada desta quinta-feira. Segundo o noticiário, foram cerca de quatro horas de enfrentamentos entre duas facções na disputa pelo território do tráfico de drogas. O cenário, conforme relatos, era de terror. Tanques do Exército Brasileiro, que estava na região por conta da Operação Ágata, e Paraguaio, além de policiais dos dois países, foram mobilizados e até a fronteira teria sido fechada.
Segundo o ABC Color, depois de cessado os tiros, dois estabelecimentos comerciais foram incendiados. Por volta das 4h30 de hoje, loja de nome "Pneus Porã" e outro comércio foram, simultaneamente, tomados por fogo. Um dos pontos seria de propriedade do traficante morto Jorge Rafaat. Bombeiros combateram as chamas.
No contexto da guerra do narcotráfico, sete pessoas teriam sido presas. A polícia ainda não divulgou oficialmente a quantidade de mortos e feridos.
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