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Intolerância com corrupção afasta população de políticos

27/06/2016 às 09h51
Por: Tribuna Popular
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A intolerância e descrença da população com a política e partidos, de modo geral, estão estimulando o radicalismo nos debates, os ataques virtuais nas redes sociais e até provocando a destruição de reputação de pessoas conceituadas. Essa repulsa preocupa as lideranças políticas em Mato Grosso do Sul, porque inibe a participação de empresários ou representantes de vários setores da sociedade nas próximas eleições municipais.

Até políticos consagrados estão avaliando se afastar para não ser alvejados por denúncias infundadas, mas com poder de destruição irreparável na imagem da pessoa. São os casos, por exemplo, dos vereadores Airton Saraiva (DEM), Mario Cesar (PMDB) e Edil Albuquerque (PTB).

“A sensação de ojeriza com os políticos é perigosa”, advertiu o deputado federal Dagoberto Nogueira, presidente regional do PDT. Ele ressaltou algumas derrotas políticas por causa do denuncismo. “Isto levou a repulsa de eleitores à minha candidatura”, argumentou.

Um desses reveses nas urnas, lembrou Dagoberto, foi na disputa pelo Senado em 2010. “Estava com vitória assegurada. Mas acabei perdendo, porque os meus rivais exploraram a denúncia do Ministério Público Federal contra mim por suposto desvio de R$ 30 milhões do DPVAT no Detran. Só agora fui absolvido, por unanimidade, pelo Supremo Tribunal Federal”, comentou, aliviado, mas frustrado com os efeitos devastadores na sua imagem de político. “O MPF em Mato Grosso do Sul me denunciou sem provas de que eu fosse corrupto. Até o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não encontrou provas contra mim”, afirmou.

Dagoberto destacou, ainda, a pressão das famílias de muitos pretendentes a candidatos a ficarem fora da política. Um caso recente é do médico Ricardo Ayache. Ele deixou o PT com plano de concorrer à Prefeitura de Campo Grande pelo PSB e até foi cogitado a ser vice da professora Rose Modesto (PSDB). Mas acabou desistindo da ideia depois de ouvir a família, amigos e companheiros de trabalho.

A generalização do denuncismo contra os políticos começou com a Operação Lava Jato, que investiga desvio de bilhões de reais da Petrobras para financiar campanha eleitoral, promover o enriquecimento ilícito de políticos, diretores da estatal e empresários. “Hoje, para a população, todo político é corrupto. Essa generalização é um perigo, é desastrosa, porque abre caminho para eleição de pessoas despreparadas e aventureiras para cargos majoritários - prefeitura, governo e Presidência da República”, alertou o deputado.

O presidente regional do PSDB e secretário estadual de Fazenda, Márcio Monteiro, não pensa diferente de Dagoberto, mas admite o “inconformismo e a intolerância com a coisa errada”. Porém, não do jeito que está acontecendo hoje com os políticos sendo massacrados com ataques nas redes sociais - um importante instrumento nas mãos das pessoas com propósito de desmoralizar políticos e os partidos. “Com a população nivelando os políticos por baixo, não sobra ninguém”, avaliou.

Para Monteiro, é necessário “baixar o tom” da crítica e evitar o denuncismo na tentativa de recuperar a credibilidade e aliviar o fardo das “pessoas de bem” interessadas em participar da política. Ele reconhece, no entanto, ser difícil, neste momento, “quebrar o pessimismo” diante de tantos escândalos envolvendo os políticos mais influentes e poderosos da República. “Mas alguma coisa precisa ser feita. Não podemos ficar de braços cruzados”, ressaltou.

“A intolerância de hoje está provocando danos à política. Isto é péssimo para a democracia”, alertou o dirigente do PSDB. Monteiro enfatizou, como exemplo, a reunião com um conceituado empresário do município de Glória de Dourados, que comunicou a retirada de sua pré-candidatura a  prefeito por causa da pressão da família. “Ele achava que poderia retribuir à cidade todos os benefícios conquistados no decorrer dos anos. Mas a família o advertiu de que estará jogando no lixo tudo que foi construído, se entrasse na política”, comentou sem citar o nome do empresário por entender ser desnecessário depois da decisão dele de ficar longe da política.

O ex-senador Antonio João Hugo Rodrigues vai mais longe na sua avaliação sobre a descrença do eleitor com os políticos e das enxurradas de ações na Justiça depois da conclusão de mandato. Para ele, quem for eleito para cargo no Poder Executivo estará na mira do Ministério Público. “Os promotores de Justiça vão continuar procurando pelos em ovo”, comentou. Mesmo o administrador tomando todo cuidado na gestão do dinheiro público, “o MP estará obcecado em processá-lo até por irregularidades imaginárias” que, mais tarde e em sua maioria, se revelarão  inverídicas. Mas o tempo que se leva para demonstrar que se trata de denúncias vazias pode levar anos e acabar com uma carreira política de pessoas bem intencionadas. “É como matar um pássaro ainda no ninho”, afirmou.

*Correio do Estado

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