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Pesquisa da UEMS analisa veneno de formigas com potencial farmacológico

08/08/2016 às 11h48
Por: Tribuna Popular
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A natureza contém uma grande diversidade de moléculas bioativas e é, portanto, uma fonte de inspiração para os químicos, bioquímicos e a indústria farmacêutica à procura de moléculas com potencial benefício terapêutico ou atividade inseticida. Dentre os produtos naturais, os venenos são uma fonte promissora para a descoberta de moléculas originais, uma vez que oferecem um formidável conjunto de propriedades biológicas.

Diversas atividades biológicas já foram comprovadas nos venenos de abelhas, vespas e formigas – os chamados himenópteros -, podendo apresentar propriedades antibacterianas, anticonvulsivantes, atividade anti-inflamatória, anticarcinogênica, entre outras.

Com objetivo de caracterizar a composição e explorar o potencial biológico do veneno de formiga de espécie de ampla ocorrência endêmica da região, a professora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Claudia Andrea Lima Cardoso, coordena a pesquisa de doutorado “Composição química e atividades biológicas do veneno de Ectatomma brunneum SMITH (1858) (Formicidae: Ectatominae)”.

Segundo a professora, ainda que o veneno de himenópteros sociais venha sendo estudado desde o final do século XIX, o conhecimento da composição da peçonha de muitas espécies é ainda muito limitado. A falta de conhecimento inviabiliza o conhecimento a respeito dos mecanismos de ação, alergenicidade e propriedades farmacológicas destes compostos. “Esta falta de dados ocorre principalmente devido à quantidade limitada de veneno que pode ser obtido a partir de uma única formiga e a natureza laboriosa de dissecções e extração do veneno”, comenta Cardoso.

Apesar das dificuldades, as análises já são animadores. “Os resultados parciais do projeto evidenciam a presença de proteínas, peptídeos, aminoácidos livres e compostos de baixa massa molecular no veneno, com cinco destas proteínas apresentando potencial inibitório quanto ao crescimento de duas cepas de bactérias testadas, sendo realizados neste conjunto de moléculas estudos mais aprofundados de caracterização e identificação”, explica Cardoso. Também estão em andamento ensaios de potencial de toxicidade e mutagenicidade do veneno da espécie, além de outras atividades biológicas.

Foi possível a realização de um estudo complexo de caracterização de compostos do veneno em geral e de compostos com atividade biológica. Para isso, os pesquisadores estabeleceram parceria com o grupo de pesquisa do prof. Dr. José Eduardo Serrão, da Universidade Federal de Viçosa, que enriqueceu os dados obtidos para o projeto, somando o uso de técnicas mais apuradas para a caracterização dos compostos do veneno.

“Trata-se do primeiro passo, mas não menos importante ou menos complexo, para o aprofundamento em estudos mais direcionados a uma possível molécula com potencial farmacológico, trabalho que pode levar uma década ou mais para ser realizado”, finaliza a pesquisadora.

Grupo de pesquisa

O grupo de pesquisa “Análise de amostras de origem vegetal e animal, medicamentos e contaminantes” estuda o tema como parte das ações do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). “No País temos poucos grupos trabalhando com a composição química de vespas e insetos em geral”, afirma a professora que é coordenadora do grupo.

Vários projetos são desenvolvidos pelo grupo. Um exemplo é a “Avaliação da composição química e da atividade antimicrobiana em vespas (Hymenoptera: Polistinae)”, que tem como objetivo determinar a composição química do veneno de vespas e analisar sua atividade antimicrobiana e também avaliar a composição do ninho e da cutícula destes insetos durante seu desenvolvimento.

“Com esta pesquisa científica pretendemos contribuir para o estudo químico e biológico de vespas avaliando principalmente aspectos ambientais e de desenvolvimento do indivíduo”, explica Cardoso.

Alunos da graduação participam da iniciação científica em dois projetos: “Caracterização dos compostos polares do veneno de Ectatomma brunneum” e “Caracterização da composição cuticular e do veneno da vespa eussocial Polistes erythrocephalus (Hymenoptera: Vespidae)”.

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