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Sistema fora do ar deixa 4 mil ocorrências sem registro

19/09/2016 às 09h13
Por: Tribuna Popular
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O Sinpol-MS (Sindicato dos Policias Civis de Mato Grosso do Sul) deliberou por uma paralisação na próxima quarta-feira (21) após Assembleia Geral realizada no sábado, que debateu e votou diversos interesses da categoria, entre eles, a inoperância do Sigo (Sistema Integrado de Gestão Operacional).

O sindicato fará uma mobilização estadual para informar a população da situação em que os policiais civis trabalham. “Há décadas falta investimento em segurança pública e não temos visto diferença com este governo. Nossas delegacias continuam sucateadas, com coletes balísticos vencidos, viaturas baixadas e, agora, nem o programa utilizado para registro de ocorrências e investigações está funcionando. Vamos informar a população que nós, e principalmente os cidadãos, estão pagando o preço”, afirmou o presidente do Sinpol-MS, Giancarlo Miranda.

De todas as pautas discutidas, a mais frisada foi a falta de segurança e estrutura, assunto que vem sido debatido há meses entre os policiais. “São delegacias em situações precárias, equipamentos ruins e agora, o Sigo. É visível o transtorno que isso tem causado à população, é desestimulante para os policiais”, comenta o presidente do sindicato.

Segundo Miranda, por mês a Polícia Civil registra cerca de 20 mil boletins de ocorrência em todo o Estado. Estima-se que desde o dia 12 até sexta-feira, cerca de 3,3 mil ocorrências deixaram de ser registradas. “Esse número é apenas uma estimativa, imagina quantas pessoas deixaram de fazer B.O [Boletim de Ocorrência], quantas marginais deixarem de ter seus antecedentes criminais checados, quantas pessoas foram até às delegacias e foram embora para suas casas sem ter o atendimento da polícia. Um procedimento que leva normalmente de 10 a 15 minutos para ficar pronto, demorar mais de 40 minutos 1 hora? Sem a ferramenta de trabalho não há o que fazer, o Estado não está cumprindo com a parte deles”, relatou.

A falta de registro de ocorrências como extravio e furto de documentos pode acarretar diversos problemas ao cidadão como a não participação em concursos públicos, viagens e emissão de novos documentos. “O Estado é o culpado do cidadão sair da delegacia sem o seu pronto atendimento, pois se atrela em discutir questões contratuais há meses em detrimento da segurança do cidadão e do trabalho dos policiais civis”, alertou.

No dia 21 de setembro, das 8h às 17h, na Capital e nas delegacias do interior, além da panfletagem, os policiais civis doarão sangue como forma simbólica do seu comprometimento com os cidadãos. “Vamos caminhar e informar a população sobre a situação da nossa polícia, protestar, doar sangue, e vamos atender só casos emergenciais. Vamos alertar a comunidade que a culpa não é nossa e sim do Governo que não nos oferece a estrutura adequado para prestar atendimento de qualidade. Se e é um problema contratual o Governo deveria dar celeridade, não podemos brincar com a vida das pessoas enquanto assuntos burocráticos são discutidos, no mínimo é uma atitude irresponsável não ter uma medida paliativa”, proferiu.

Governador diz que contrato com empresa será renovado

Na última quinta-feira (15), durante evento de lançamento do projeto ‘Mãos Que Constroem’, ao ser questionado sobre a inoperância do Sigo, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) disse que “é um problema que herdado da gestão passada, mas nós vamos renovar o contrato”.

Em reunião realizada no mesmo dia entre o Sinpol-MS e a Sejusp (Secretaria de Segurança Pública do Estado de Mato Grosso do Sul), o secretário da pasta, José Carlos Barbosa, informou que a negociação com a empresa fornecedora do Sigo está avançando, porém ainda não há a previsão de quando o sistema voltará a funcionar.

*O Estado

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