
A Justiça do Mato Grosso do Sul decretou pedido de prisão preventiva contra o policial militar aposentado Valdecir Ferreira, de 55 anos. Ele matou a companheira Katia Campos Valejo, 35 anos, com quatro tiros, na noite de domingo (16), na casa onde moravam na Rua Tintoreto, na Vila Nossa Senhora das Graças, em Campo Grande.
Três dias depois do crime, Valdecir se apresentou espontaneamente na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), prestou depoimento e foi liberado, já que ainda não havia contra ele ordem de prisão. Além disso, entregou o revólver calibre 38, utilizado no crime. Ao ser interrogado, o policial militar aposentado declarou que agiu em legítima defesa. Ele disse Kátia havia lhe pedido dinheiro e, por ter recusado a dar, foi ameaçado com arma.
O pedido de prisão que já havia sido enviado à Justiça, por delegada que preside o inquérito, foi analisado e decretado, considerando antecedentes criminais por ameaça e tentativa de homicídio, que reforçaram características violentas de personalidade, de acordo com decisão do juiz Carlos Alberto Garcete, titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri.
Na avaliação do magistrado, a prisão preventiva de Valdecir garante a ordem pública, tendo em vista que o policial militar aposentado menciona em depoimento que o primeiro disparo foi à queima-roupa. ''Posto isso, acredita que está afastada qualquer justificativa de efetuar-se quatro disparos, pois se tratava de uma mulher franzina, o que denota frieza e periculosidade da parte do autor'', diz Garcete.
O juiz afirma, ainda, que o caso é típico de feminicídio, pois o crime ocorreu de forma violenta por razões da condição do sexo feminino.
À reportagem José Roberto Rodrigues da Rosa, advogado de defesa de Valdecir, garantiu que vai pedir revogação da prisão. “A prisão é desnecessária. Ele se apresentou, entregou a arma. Está colaborando. Não tem o porquê ser preso”, argumentou.
*Correio do Estado
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