
A partir da investigação de um homicídio cometido por um jovem em setembro, que agiu em vingança ao desparecimento de seu irmão, a polícia identificou oito suspeitos de participação em uma rede de tráfico de drogas e exploração sexual de adolescentes no bairro Danúbio Azul – região norte em Campo Grande.
Eles tiveram o pedido de prisão temporariamente expedido devido a ligação no desaparecimento de nove pessoas e de uma morte. Em uma ação realizada na quinta-feira (10), policiais chegaram a usar uma retroescavadeira, na Chácara dos Poderes, à procura do corpo de uma das vítimas, mas nada foi encontrado.
Durante as diligências foram cumpridos dez mandados e busca apreensão e encontradas drogas, arma de fogo e animais em situações cruéis. A delegada titular da Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), Aline Sinnott Gonçalves Lopes, afirma que as supostas vítimas se tratavam, em sua maioria, de adolescentes dependentes químicos, que praticavam atos sexuais em troca de droga. E quando havia qualquer desavença com os exploradores, seja por furto ou por negar relação sexual, as pessoas era era, possivelmente, mortas.
A investigação aponta que o primeiro caso de desaparecimento ocorreu em 2012. E apenas um corpo foi encontrado, o de Valdelei Almeida Junior, 21. Continuam desaparecidos cinco adolescentes entre 13 a 17 anos e mais quatro adultos: Bruno Santos da Silva, Alex da Silva dos Santos, Aline Farias da Silva, Vanderlei de Almeida Dias e Ana Cláudia Marques.
Prisões
Foram presos Luis Alves Martins Filho, o ‘Nando’, que era o cabeça da quadrilha, seu sobrinho Diego Vieira Martins e Rudi Pereira da Silva, com quem ainda foram encontrados 70 galos utilizados em rinhas. O trio tinha envolvimento também com tráfico de drogas.
Jeová Ferreira Lima, Andreia Conceição Ferreira e Ariane de Souza Gonçalves, foram detidas por serem responsáveis por aliciar as adolescentes. E outras duas pessoas foram presas em flagrante com drogas.
Segundo a delegada, foi difícil para a polícia desarticular a rede de exploração, até porque os moradores e os comerciantes eram ameaçados. “A dificuldade que tivemos era o temor que os investigados impõem no bairro e também porque existia participação no uso de drogas de muitas pessoas. Para não se comprometer, eles não informavam”, explicou Aline Sinnott.
Casos
A morte de Leandro Aparecido Nunes, o “Leleco”, deu início a todas investigações. Em setembro deste ano, ele foi morto a tiros quando estava uma motocicleta, no anel viário da BR-163, em Campo Grande.
Leandro era um dos líderes da rede de exploração. Durante as investigações, a polícia identificou o autor, que revelou o esquema, acusando Leandro de ter sido o responsável pelo desaparecimento do o seu irmão. A delegada revelou ainda que vítimas viviam em situação miserável, o que facilitava o assédio.
*O Estado
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