
"Quer perdão, Cristhiano? Cumpra a sua pena”. O advogado Bruno Maia, assistente de acusação olha para o réu, Cristhiano Luna de Almeida e completa a frase, agora, apontando para a mãe de Jefferson Bruno Gomes Escobar, o Brunão. “Dez anos de seu filho morto, sem a justiça ser feita”.
Luna está sendo acusado novamente pela morte do segurança, que morreu no dia 19 de março de 2011.
A assistência da acusação no julgamento de Luna está sendo feita pelo advogado Bruno Marcos Maia, casado com a prima de Brunão, a também advogada Mayara Gonçalves Maia. Era ela quem faria a sustentação oral, mas, sem condições emocionais, deixou ao encargo do marido que acompanhou o processo criminal e os desdobramentos familiares da morte de Brunão.
Maia lembrou que a família sofre com a “ginástica mental” desde o inquérito, com as teses e recursos da defesa. Citou o argumento de que o chute de Cristhiano Luna pode não ter sido a causa direta da morte de Brunão, que poderia ter sofrido a insuficiência respiratória por conta de massagem cardíaca.
O advogado também questionou o depoimento de Luna hoje, ao pedir perdão por seus atos. “Ele pediu perdão pela primeira vez, nem no outro julgamento ele fez isso. Teve a oportunidade, o Douglas [Oldegardo, promotor do 1º julgamento] olhou nos olhos dele e perguntou: você se arrepende? Ele não falou”.
"Não estamos pedindo nada mais do que já foi feito, ele já foi condenado", disse Maia, referindo-se à sentença de 17 anos e 6 meses de prisão, reduziada para 14 anos, 11 meses e 5 dias, posteriormente anulada em instância superior. "Desculpa minha exaltação, mas que cansa, cansa a justiça brasileira".
Massagens – Antes da fala emocionada da assistência de acusação, foi a vez do promotor Bolivar Luiz da Costa Vieira, que exibiu os vídeos da câmera de segurança que mostram quando Cristhiano Luna é retirado da Valley Pub pelos seguranças, cai no chão e esperneia.
Na plateia, a mãe de Brunão, Edcelma dos Santos Vieira, 50 anos, chorou e foi amparada pelo filhos. Abraçada, assistiu novamente os últimos momentos do filho com vida. O promotor reforçou ao longo do vídeo que mesmo ferido e em visível agonia, o rapaz ainda tentou conter Luna.
Além do chute que aconteceu nesse momento, a acusação também alega que as agressões continuaram, fora do enquadramento das câmeras. “O réu continuou a violência, apertou o joelho sobre o peito da vítima e assim, causou sua morte”.
Com as imagens, o promotor rebateu a versão da defesa de Luna, de que várias pessoas fizeram massagem cardíaca e que isso teria agravado o estado de saúde da vítima. Assistindo atentamente ao vídeo, o réu responde: "Não aparece".
O promotor segue a fala afirmando que os atos de uma vida inconsequente, como dita pelo próprio réu no plenário, tem consequências. "A gente colhe o que planta".
Para os jurados, Bolívar Vieira alegou que, mesmo condenado, Luna vai seguir a vida, terá oportunidade de reconstruir sua história, dar netos para a mãe. "Para o Luna a consequência é legal, para o Jefferson Bruno foi muito pior, foi a morte; não queremos falar que o Cristiano é uma pessoa ruim, mas atos tem consequências".
Ao longo da fala do promotor, Luna balançou a cabeça algumas vezes, negando os fatos narrados na denúncia e na investigação policial.
Quando o promotor repete que ele xingou o garçom de "preto negueba do Flamengo", o que teria piorado a situação e causado a retirada de Luna do estabelecimento, mais uma vez, o cozinheiro balançou a cabeça firmemente.
"Foi tudo causado pelo Cristhiano, pelas atitudes dele. Desde a hora que ele passou a mão no segurança, no momento em que tentaram retirar ele e não quis sair e ai precisou se usar mais força e gerou mais violência".
Promotor lê o depoimento que fala que Luna apertou o antebraço no pescoço e o joelho no peito de Brunão. "É o que acreditamos ter acontecido na hora que eles saem da imagem".
Mín. 21° Máx. 34°