
A aposentada Camila, 33 anos, assiste ao júri de Felipe da Silva Gamarra, 28 anos, nesta sexta-feira (11). O réu é acusado de ter estupro e tentativa de feminicídio contra a mulher em às 13h do dia 29 de julho de 2019, no Bairro Jardim Carioca, em Campo Grande.
Atenta a tudo, a mulher, que só terá o primeiro nome divulgado, contou ao Campo Grande News, que decidiu assistir ao júri para ver “se a justiça seria feita” e pretende ficar até a hora em que a sentença for dada. Camila chegou meia hora antes do horário marcado para o início das atividades, acompanhada pelo marido, que preferiu não ficar no local.
“Estou na expectativa. Queria acompanhar de perto. Cheguei aqui às 7h30 e ficarei até o final. Meu marido me trouxe, mas preferiu ir embora. Quero ver se a justiça será feita, estou ansiosa. Aqui a gente revive tudo o que aconteceu no dia, o medo, a angústia. Dá um aperto no coração, feio na barriga de ouvir tanta mentira, porque ele mentiu sobre muitas coisas”, disse Camila.
A vítima, na época era doméstica e por conta das sequelas do ataque precisou se aposentar. Mãe de três filhos e casada há 18 anos, não foi só a profissão que Camila viu mudar nesses quase três anos, inclusive o bairro onde morava.
“Não consigo mais trabalhar porque não tenho força na mão direita. Vou fazer mais duas cirurgias ainda, no abdômen e na alça do intestino. Mudou tudo. A rotina, a autoestima, o psicológico. Nada é como antes. Agora tenho até medo dos meus filhos saírem sozinhos e serem atacados”, declarou a mulher.
Durante o depoimento de Felipe, Camila segurou firme as mãos e a vontade de gritar dizendo que o relato do réu não condizia com o que de fato aconteceu no dia do crime que a vitimou.
“A vontade é de gritar que não foi assim que aconteceu. Ele contou muitas mentiras. Espero que pegue a sentença máxima e pague pelo que fez. Se ele for solto, em pouco tempo haverá outra vítima aparecendo na televisão, um ser humano desse não tem cura”, desabafou Camila.
Julgamento – Felipe foi preso em em agosto de 2019, na cidade de Anastácio. Ele é acusado de ataque à três mulheres no Jardim Carioca em Campo Grande e hoje está no banco dos réus pelo estupro e tentativa de feminicídio contra Camila em julho do mesmo ano.
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) denunciou Felipe por tentativa de homicídio qualificado por emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa. As facadas começaram pelas costas da vítima, que estava amarrada e debilitada. Das 11 facadas, três foram no pescoço.
O ataque contra a doméstica foi às 13h do dia 29 de julho de 2019, no Bairro Jardim Carioca, em Campo Grande. Armado com faca, ele abordou a vítima na rua e a obrigou a entrar num matagal. Tentou roubar o celular, avaliado em R$ 1.590, mas desistiu porque ela não conseguia desbloquear o aparelho e após violência sexual, esfaqueou a mulher.
Hoje, durante julgamento, afirmou ser a vergonha da família e pediu redenção. “Se um dia ela puder me perdoar”. A frase levou a tia da vitima a se retirar da sala. Felipe ainda chegou a afirmar que não se lembrava do dia do ataque. Em geral, passava os dias bebendo e usando drogas.
O julgamento começou por volta das 8h, na 2ª Vara do Tribunal do Crime, de Campo Grande e é presidido pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos. Por volta das 12h houve uma pausa e a sessão deve retornar ainda no início da tarde de hoje.
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