
O estudante José Evaristo Diel Freitas, de 18 anos, é acusado de espalhar discurso de ódio e medo entre alunos do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande. Boletim de Ocorrência por ameaça e injúria racial, registrado por mães das vítimas em 28 de fevereiro, informa que o autor disse que o “IF é um local propício para um massacre. Eu tenho uma lista de quem eu mataria”.
De acordo com o documento, registrado na Depac Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), o estudante afirma que a primeira vítima seria um colega de 18 anos, por ser “negro e maior”. O segundo ataque seria contra outro estudante de 16 anos porque é negro. Já um terceiro colega seria torturado.
Ainda conforme o Boletim de Ocorrência, os três estudantes alvos da ameaça são negros. “Que por vezes já presenciaram o autor fazendo declarações preconceituosas e por diversas vezes se autointitula nazista”.
Os estudantes costumam jogar online e que o autor das ameaças, durante bate-papo, afirmou que “Tu não é ariano, te coloco para assar”. Os neonazistas resgatam a ideia de supremacia racial, com crença na “superioridade” dos arianos (brancos).
As vítimas estão passando por acompanhamento psicológico. As famílias não quiseram dar entrevista. Mas um breve relato mostra a dimensão do impacto. “Por dias não vi o meu filho sorrindo”.
O Campo Grande News também entrou em contato com a família de José Evaristo Diel Freitas, que informou que não vai se manifestar, aguardando desdobramentos dos fatos. O entendimento, até então, era de que o caso tivesse sido resolvido dentro do ambiente escolar. O estudante teria sido designado por professor para trabalho sobre a Segunda Guerra, que envolvia o nazismo, e comentou com os colegas durante almoço.
Titular da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), a delegada Fernanda Félix afirma que será instaurado termo circunstanciado de ocorrência. “Vamos identificar a terceira vítima citada no Boletim de Ocorrência. O autor será intimado para apresentar a sua defesa e esclarecer as acusações, mas o crime já está materializado”.
Não constatou veracidade - O IFMS informa que a suposta situação envolvendo estudantes ocorreu fora da instituição, em um comércio nas proximidades do Campus Campo Grande. O dado diverge do Boletim de Ocorrência, que aponta a instituição de ensino como local dos fatos.
"Ao ser informada sobre o ocorrido, a direção-geral do campus iniciou um processo de apuração de informações sobre o fato e afastou das atividades, de forma cautelar, o estudante que supostamente teria ameaçado outros alunos que o teriam chamado de 'nazista'”, esclarece nota do IFMS enviada à reportagem.
Ainda segundo o comunicado, até o momento a apuração preliminar do campus não constatou a veracidade das ameaças. Os estudantes da turma têm recebido orientações pedagógicas com informações a respeito dos prejuízos causados à humanidade pelo nazismo.
"O IFMS é uma instituição pública federal de ensino que tem entre seus principais valores a ética e o compromisso com a igualdade social, repudiando qualquer tipo de discriminação ou apologia a ideologias que não condizem com uma sociedade igualitária", conclui a nota.
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